Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Não pague mais multas! Saiba como aqui!



"Oh bolas, vou para o desemprego!"


Sempre que há alguma pedra no sapato de um português, aparece sempre outro pronto a desenrascá-lo de uma maneira bem engenhosa, por uns eurozitos. Isto é um daqueles axiomas que deverá figurar em grande destaque no livro "Caracterização do Tuga", quando alguém se der ao trabalho de o escrever. É verdade, não é?

Pois prepare-se para uma verdadeira revolução: o livro que o ensina a livrar-se das multas! Sim, pela módica quantia de apenas 15 euros (fora os portes de envio), sem juros, nem levar com as recargas "grátis", este produto miraculoso pode ser seu (venda exclusiva no Miau.pt). Ai que já salivo! Segundo os seus escritores-benfeitores, «Sabia que 80% das multas podem não ser pagas, basta para tal recorrer das mesmas. Neste negócio não só recebe um fantástico manual com todas as instruções para se safar das multas. Como ainda o seu email fica na nossa lista de email e durante 1 ano recebe todas as actualizações de forma gratuita.». Ena, até vem com actualizações e tudo. Estou rendido!

E, como é normal nestes leilões online, há sempre aquela lista infindável de malta céptica, de malta rendida ao Mecenas, ou simplesmente, aquela malta curiosa que é atraída sempre por pirilampos, chapa batida, ou apenas um aglomerado de malta. Aqui vai o Best-Of!! :)

Alguém pergunta se "o manual ajuda a evitar a multa", ao qual a resposta é "ajuda a não apanhar a multa". Sim, o diálogo está num nível linguístico bastante alto, onde é preciso estar bem atento à semântica dos termos, e fazer uma análise morfossintáctica fina das frases. Alguém que diz que "anda com receio de ser caçado" (deve andar com o corpo da mulher na mala, ou coisa do género), ficou frustrado ao saber que o livro "não resulta em 100% dos casos", o que até entendemos perfeitamente. Mas num país onde o Nuno Leocádio ainda tem a carta de condução, há sempre aquela esperança, não é?!

Algum iluminado descobriu a pólvora, ao mandar um bitaite que "tem a ver com a impugnação e a prescrição de multas", num processo que eu gosto de chamar engonhanço (adoro a palavra engonhar, o seu fonema meio "chiclete" representa fielmente o seu significado). Contas feitas, a justiça é nossa amiga, podendo dar ao transgressor várias maneiras de empatar multas justas, e permitindo este tipo de actividades tipicamente tugas, que eu acredito, deviam inclusivé ser financiadas e protegidas pela UNESCO como património intelectual mundial.

Já agora, fica aqui a minha recomendação a quem veio aqui ao engano, a pensar que eu ia ensinar a safarem-se das multas: se levaram com uma multa justa, paguem e calem-se, aldrabões de 2ª!


4 comentários:

andre modesto disse...

Uma multa é aplicada quando se comete um crime, uma coima é aplicada quando se comete uma infracção...leve grave ou muito grave.
Portanto, se cometeu crime e foi apanhado paga MULTA.
Se passou um traço contínuo, não parou no tal stop ali na esquina ou sei la mais o quê, paga COIMA.

:D

Kruzes Kanhoto disse...

Deve ser como aqueles anuncios que prometem um dinheirão por meter circulares em envelopes...

Torre disse...

Mesmo sem contar com as incorrecçãoes de semântica, de facto, pode ter havido algum iluminado a dar os truques para apontar para as prescrições das coimas... Antigamente, havia um bom, que era não aceitar as notificações que chegavam a casa... Eram enviadas para o dono do veículo, para que este identificasse o condutor em causa. O dono podia não a receber, e passado um ano... Prescrição. Em alternativa, o dono podia receber, apontar o nome do condutor faltoso... Que até nem existia, e morava em S. Jorge da Morrunhanha, e... Prescrição. Ou até podia apontar o nome correcto, mas como a carta nunca mais chegava... Pois, já se sabe. Hoje em dia, a lei já prevê que se não se encontra o condutor, a responsabilidade presume-se ser do dono do veículo, bem como o prazo da prescrição foi aumentado para dois anos... Mas ainda assim, há sempre esquemas... Se no processo penal os há, quanto mais nas contra-ordenações!!!

n disse...

Malta, uma questão bastante simples, que penso que todos nós, visitantes do blogue sabem, mas que é sempre importante relembrar:

Se conduzimos um carro, numa via pública, temos que nos reger por uma coisa chamada Código da Estrada.

Se não obedecermos a esse Código da Estrada, há uma sanção, que pode assumir a forma pecuniária ou não.

Se achamos que fomos injustamente sancionados, podemos sempre recorrer, mas a questão fundamental é que se metemos a pata na poça e desobedecemos ao tal Código da Estrada, merecemos a sanção, quer ela nos seja aplicada, quer não.

Tentar fugir a isto é uma brincadeira infantil e sem qualquer sentido.

Há por aí muito táxi, muito autocarro e muitas sapatilhas para quem não concordar com o Código da Estrada.


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