Uma pata a acelerar, outra pata de fora.
Da minha fila imensa de imagens de situações rocambolescas que presenciei nas estradas portuguesas, esta é sem dúvida das minhas favoritas. Apanhei este verdadeiro artista de circo a subir a VCI há uma semana atrás, antes de partir para outras terras mais gélidas do Norte.
Sim, é mesmo isso que estão a ver: o artista em questão está a arejar os fungos do seu pé esquerdo, ao mesmo tempo que conduz a sua pobre montada pela VCI acima. O aspecto dele não enganava e tinha todos os sinais típicos de um basofe-wannabe, com mais alguns compinchas no carro para comprovar as proezas ao volante e gozar de um certo estatuto gerado por tamanhas parvoíces que aquela idade apregoa.
Agora é que me ocorre: não existe nenhuma lei que obrigue o condutor a ter os dois pés perto dos pedais, pois não? Se for a ver, também não há leis que impeçam um condutor de conduzir com os pés; pelos vistos, e confirmando com a triste figurinha que este verdadeiro palhaço ao volante estava a fazer, parece que é preciso alterar o Código da Estrada e legistar correctamente as posições proibidas dos nossos membros enquanto se conduz um carro.
É Portugal, o que se há-de fazer? Ainda ontem, em conversa com um nativo aqui do país de onde me encontro, voltou a confirmar a aplicação de uma das regras mais fabulosas de todos os tempos: aqui, o limite de alcoolemia no sangue enquanto se conduz é 0.0 g/L. Ou seja, bebes uma gotinha que seja, e vais visitar a prisão por 2 semanas. Sem tribunais, sem cunhas, sem nada -- direito para a choça, e aprendes logo. Em Portugal, se esta lei entrasse en vigor, acho que teríamos de sub-alugar prisões aos países vizinhos.













