Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



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sexta-feira, 11 de maio de 2007

A reprodução fiel do bólide do tuga!



Já estou como o Bruno Nogueira: "Perfeito, Perfeito..."


Uma imagem vale sempre mil palavras. E há dias, no LeClerc, acabei de tirar uma dessas fotografias: a materialização do carro desejado pelo tuga típico. Este exemplar reúne quase todas as "qualidades " que estão muito cotadas nas cabecinhas dos portugueses. Ora vamos lá contá-las:

1 - É um Audi. Aqueles quatro arozinhos, a par da estrelinha da Mercedes ou da hélice do BMW, dão uma autorização exclusiva para circular na faixa da esquerda das auto-estradas. Podem enxotar todos os carros dessa faixa tranquilamente, e à velocidade que entenderem, pois o Código da Estrada assim o prevê.

2 - É em segunda mão. Se um fritz qualquer já andou com ele, é porque é bom. Eleva o estatuto. E Apesar de o dinheiro não dar para mais, é imperativo ter um carro maior do que o do vizinho.

3 - Tem a matrícula ilegal, sem o rectângulo amarelo, para esconder (pois, claro) a sua proveniência do estrangeiro. Sim, porque ele ainda espera convencer um ou outro colega do café que já tem o Audi há mais anos, só que manteve-o na garagem para amadurecer, tal como se faz com os vinhos...

4 - É laranja choque (embora tecnicamente, sendo uma importação do estrangeiro, o fulano não possa escolher a côr), o que facilita o seu pavoneamento pela via pública.

5 - Tem uma dupla abufadeira, bem enegrecida por um prestigiadíssimo e supra-valorizado TDI com a MAF já com a alma junto do seu criador. Ainda bem, pois os escapes enegrecidos dão ainda mais estatuto ao bólide. O lettering não existe, para escolder o facto que é o TDI com menos potência...

6 - O estacionamento à patrão, já a roubar o espaço do outro, é típico de quem acabou de levar com um «boost» no ego como quem leva uma cornada no rabo de um hipopótamo.

Se o dono deste carro fosse meu vizinho, de certeza que já tinha arrombado a minha auto-estima, e provocado vários sentimentos de inferioridade... e estava furiosamente à procura de um Mercedes em 2ª mão ainda maior do que ele, para recuperar o meu ego. Felizmente, para todos, não é meu vizinho, e passo meu tempo, ao invés, a mandar postas cheirosas com esta.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Suckaten estrangeiraischen ist muiten gut!





O Diário Desportivo, numa notícia publicada há uma semana, acabou de despedaçar em mil pedaços uma dos maiores mentiras actuais: os portugueses importam carros usados estrangeiros com pouco uso. Será?

Contas fechadas, a importação de suca... carros usados do estrangeiro em 2006, saldou-se em 43781 unidades. Nesse mesmo ano, em Portugal, venderam-se 194684 automóveis novos, ou seja, são cerca de 22,5% do total! Um em cada 5 carros novos em Portugal é um carro usado do estrangeiro.

Senhor leitor, está chocado com o termo "sucata"? É que há uma questão preocupante: 75% das importações são veículos com mais de 10 anos, na sua grande maioria vindos da Alemanha. Ou seja, 75% de 43781 dá 32836 carros. Dividindo por doze meses, dá a módica quantia de 2736 carros por mês que já podem ir para o centro de abate para se receber 1000 euros de desconto no IA. Sejamos claros: se o Governo incentiva o abate de carros com mais de 10 anos, é porque muitos deles já cheiram a sucata.

Ah, e são 91 sucatas importadas do estrangeiro com mais de 10 anos que são importadas por dia. Escusa de pegar na calculadora. A distribuição por marcas não surpreende: 13771 Mercedes, 9239 Audi, 5844 VW e 4956 BMW. Ou seja, sobram 9971 carros de outras marcas. Porquê estas marcas?! Porque assim o português sobe de estatuto, acha-se superior ao vizinho e até pode circular alegremente na faixa à esquerda da AE, mandando faroladas a todos os carros não-alemães que ousam ir para essa faixa elitista.

Sim, é claro que muitos carros com 10 anos ainda estão para as curvas! Mas porquê este fetiche por carros com mais de 10 anos? Porque é que ter uma carrinha Audi com mais de 10 anos, que custa metade do preço novo de um Clio, é sinal de esperteza? Eu não quero comprar um carro com mais de 10 anos! Para mim, um carro usado é como uma sanita pública: fico sempre desconfiado de quem lá se sentou antes...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Acabou o IA - Imposto Aberrante, viva o ISV - Imposto da Sucata Velha!!!



Importados em 2ª mão... mais tuga que isto, não há!


Este país é um autêntico paraíso para os poluidores. Alguém já multou um suinicultor por causa do rio Lis? Mmm não me pareceu. Pois a partir de Julho, o aborto do Imposto Automóvel (IA), também conhecido por Imposto Aberrante (provavelmente, o único imposto sobre imposto do mundo e arredores), vai dar origem a outro aborto, o Imposto Sobre Veículos (ISV), que eu quero baptizá-lo de Imposto da Sucata Velha!, e que vai revolucionar o mercado de poluentes de Portugal.

Uma das grandes aberrações do novo ISV é continuar a incentivar a importação de carros importados em 2ª mão, ou seja, a sucata velha que os outros países não querem. Segundo o presidente da ANECRA, Ferreira Nunes, "está provado que 75% dos carros importados [em 2ª mão, do estrangeiro para Portugal] têm mais de 10 anos". E mais: essas sucatas com mais de 10 anos continuarão a beneficiar de 80%, repito, 80% de desconto no ISV. Catita, hã?

Em resumo, o ISV está tão preocupadinho com o ambiente, coitadinho, como eu estou preocupado com a côr das cuecas de fio dental que o José Castelo Branco usa nas festas! O ISV penaliza mais um automóvel novo e barato com catalisador e motores eficientes e económicos, ou seja, o automóvel que o português compra para poder trabalhar, enquanto não taxa uma sucata velha construída no tempo da TV a preto e branco, que o outro português normalmente compra para se pavonear.

Ah pois é! Neste país de exibicionistas, um Mercedes com 30 anos a cair de podre e a emitir fumo como uma barraquinha de castanhas quentes, como o aborto que fotografei acima, continua a dar mais status ao dono do que se comprasse um Fiat Punto novinho, bem mais económico e amigo do ambiente. E o ISV até dá uma forcinha.

Mas esperem aí: o que aconteceria se eu quisesse importar uma sucata como à da fotografia? De certeza que um imposto tão verde como o ISV dava-me logo umas chicotadas valentes, logo depois de ligar essa máquina e sair do escape um fumo semelhante a carvão em pó... mas não! Segundo o AutoHoje, "No caso dos imporetados, o Governo permite que o CO2 seja calculado com base no modelo actual da gama equivalente da mesma marca, já que as medições de CO2 nos centros de importação não são conclusivas quanto ao valor real de CO2 de cada viatura".

Ou seja, o Governo não quer considerar a poluição real que este carro com 30 anos faz; prefere considerar a poluição do seu modelo equivalente hoje, ou seja, um Mercedes novo muito mais evoluído e que deve poluir dez vezes menos. Epá, há coisas fantásticas, não há? E viva o novo ISV, o Imposto da Sucata Velha!!!


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