Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O acidente da A1 (sim, mais um...)


Calma, que eu não morri, nem fui atacado por um gang de tunings; simplesmente tenho uma vida para além deste estaminé, e bem ocupada nestes últimos dias. E hoje, por causa de mais um compromisso, tive de dar um salto ao Porto. Mal sabia eu que iria ser mais matéria para este estaminé fedorento...

Ora bem, como eu não tenho acções da Brisa, lá fui eu de camioneta para o Porto (sabiam que as portagens Lisboa - Porto - Lisboa são mais caras que um bilhete de camioneta ida e volta?!); entretanto, na rádio falava-se de mais um acidente na A1, com um camião cisterna, para os lados de Aveiro. O que fazer? Desmarcar é impossível... o melhor é esperar que a Brisa não queira desafiar o seu próprio recorde de 14 horas a desobstruir a via. Fé nos bombeiros e siga para a terra das francesinhas.

Ao início, enquanto despachava um mail ou outro, notei que o condutor da camioneta divertia-se a pisar a faixa sonora periodicamente, num slalom suave, como quem trauteia pela enésima vez a musica da Mel C. Uma análise mais atenta ao fulaninho mostou a origem de tal serpenteamento:




Sim, o tipo tinha o dente azul coladinho na orelha como mandam as regras, mas que estava a abusar nas escritas, estava. Enquanto estava a ganhar coragem para chamar a atenção ao fulano, lá felizmente parou de escrever a coluna editorial para o "Pesados'R'Us". Já que a PT inventou um sistema de leitura sintetizada de SMS, já era altura de criarem um sistema de interpretação automática de mensagens para SMS. Mas, se for a ver, para quê? No outro dia, vi um tipo num Mercedes espampanante, a atender a chamada de tijolo na orelha; será que não sobrou mais dinheiro para comprar um kit mãos livres reles?

Bem, deixa para lá; chegando até Aveiro, lá me deparei com o "ground-zero" do acidente do camião cisterna. Imaginem alguém que tem de estar no Porto às 14h e que se depara com este espectáculo de carros parados em plena A1:



Que fazer? Sair da camioneta para desentorpecer as pernas. Os trolhas da carrinha do lado até se deram ao luxo de sentar no rail, a apreciar o show. Só faltava o piquenique à beira da estrada. Realmente, não havia muito para fazer, e toca a tagarelar com o condutor da camioneta. Depois de uma cavaqueira já amena, ele disse que o acidente deveu-se a um adormecimento ao volante, e ocorreu por volta das 6h15. Mostrou-me os novos cartões de registo de horas, do tamanho de cartões de crédito e que iam substituir os antigos dísticos; uma espécie de caixa-negra que precisa de ser descarregada de 28 em 28 dias. A parte engraçada é que disse-me que já há artimanhas para contornar esta medida de segurança que pretende evitar, entre outros, acidentes por adormecimento ao volante! Irónico, não é?

A fila lá avança, e como não podia deixar de ser, as televisões já lá estavam em força.



Ora aqui está o camião cisterna... vim a saber mais tarde que hoje houve 3(!) acidentes com camiões cisternas! Eh lá, que os tipos do SIS quase que pousavam o jornal na mesa e ainda tentavam fazer um ou outro telefonema para saber se é algum ataque terrorista... mas foi falso alarme, e felizmente isso não perturbou a lerpa marcada para a tarde.



Ah, e mais uma achega: das muitas histórias do condutor da camioneta, ele deixou escapar uma, muito sui-géneris: disse que, perto da Feira, esteve a olhar para o retrovisor; passados poucos segundos, passa-lhe um Ferrari nos seus 200 e tal à hora. Ao que parece, ele próprio apanhou um susto monumental, e sentiu a deslocação do ar com oscilações no volante. Ou seja, por pouco que não havia mais uma tragédia por causa de uma manifestação de complexo masculino desenfreado, e sem culpado à vista... e assim vão as histórias tenebrosas da A1.

Já agora, lanço um pedido: na 4ª feira tenho de voltar ao Porto, e não posso falhar o compromisso. Por favor, senhores condutores de cisternas, não se estampem na A1, por favor. Esperem até 5ª, OK? Ou usem uma nacional para isso, pode ser? Obrigado.

domingo, 5 de agosto de 2007

A Brisa some e segue para o Guinness World of Records...



Imagem retirada do Jornal de Notícias


Realmente, a Brisa soma e segue na minha consideração... Este fim-de-semana fiz duas A1 para ver a famelga, traduzindo num belo total de 37,60 € em portagens. Ou seja, um preço low-cost para Madrid, o que tem toda a lógica... mas por este preço, devemos ter tratamento de-luxe, não é?

ERRADO! Tive a fantástica sorte de não ter apanhado este acidente, pois foi no sentido Norte-Sul (mesmo assim, apanhei 1 hora de seca por causa de um acidente com um ZX e um Corsa para os lados de Leiria, sentido Sul-Norte). Quando passei por lá, em Coimbra-Sul, encontrei uma fila GIGANTESCA de quilómetros de carros parados e a malta fora dos carros... só faltou fazerem um piquenique no meio da estrada.

Bem que ouvi a TSF, mas não queria acreditar... o tal acidente foi no dia anterior, às 20h00... ou seja, há mais de 14 horas que estavam a limpar a via!!! Diz a Brisa que estava preocupada para que a limpeza não contaminasse lençóis de água, e como tal, tiveram de usar equipamento especial... com a telenovela a incluir bombeiros que não queriam limpar, e horas à procura do equipamento para a limpeza!

Espantoso... uma empresa que é praticamente monopolista das auto-estradas portuguesas, e que se digna a cobrar esta barbaridade numa via onde não há alternativas (bem que eu queria, mas a Nacional 1 não é alternativa, e eles sabem), brinda-nos com este serviço de quem pelos vistos só tinham dois ucranianos a recibos verdes de piquete para limpar a auto-estrada!

Se me acontecesse isso, eu pura e simplesmente recusava-me a pagar a auto-estrada! Segundo o JN, não era o único, havia mais gente revoltado que não queria pagar. Eu não sei se conseguiram, mas não me admiraria muito se a Brisa insistisse em cobrar o valor máximo da portagem! E assim vamos, com a Brisa a quebrar o recorde do Guinness como a concessionária mais incompetente a resolver um acidente, com 18 horas de limpeza!!

Ah, é verdade, quanto à minha viagem pela A1, foi bem divertida... apanhei dois acidentes, uma data de emigrantada sem piscas, uns bons km de obras com faixas minúsculas, vários faroleiros nas minhas costas, e até malta bem propícia a "contra-ultrapassagens", ou seja, uma vontade de me ultrapassar logo assim que acabo a minha ultrapassagem e vêem o meu autocolante GPL...

domingo, 22 de julho de 2007

Circular pelo meio da estrada - a posta sanguínea!





O meu amigo Sardinha, do Na Pele Do Outro, mandou-me a tacada para esta reportagem da RTP1, sobre a fantástica arte de andar pela faixa do meio. Realmente, são belos momentos estes da televisão pública, quando entrevistam os condutores e perguntam-lhes o porquê de irem pelo meio... a cara deles é bonita, mas bem que podemos dissecar este tema, neste laboratório do enxovalhanço.

Vistas bem as contas, é mesmo pelo meio que o português é praticamente obrigado a circular nas auto-estradas deste país! Mas não se pode!... é verdade. É perigoso!... também. Mas qual é a alternativa? Andar pela direita? Na A1? Só se formos daqueles viciados em pura adrenalina! Sempre que faço uma A1, em regra geral, apanho sempre 2 ou 3 sustos por viagem, só de andar a circular na faixa da direita!!

A nossa A1 é uma amálgama horrorosa de troços de 2 faixas e de 3 faixas sem nexo. Salvo as obrigatórias excepções ao pé de Porto e de Lisboa, são raros os troços de 3 faixas com mais de 2km de extensão. Sempre que eu circulo na direita com 3 faixas e a auto-estrada encurta para duas faixas, a minha adrenalina sobe. Em primeiro, há várias ratoeiras como há uma para os lados de Santa Maria da Feira, onde essa transição faz-se numa lomba e curva, fazendo com que de repente nos encontremos fora da faixa! Juntem isso ao fantástico civismo dos outros condutores, que mesmo com a faixa da esquerda livre, não abdicam de dar um espacinho para entrar.

Faixa da esquerda?! Não é recomendável a quem não tenha carro de fino estatuto, como por exemplo um importado da Alemanha com mais de 10 anos! De 10 em 10 minutos, durante uma ultrapassagem, lá se encosta um desses emplastros a mandar-te sinais em código Morse para saires imediatamente dessa faixa elitista. E com razão, pois está no Código da Estrada previsto que essa faixa destina-se exclusivamente para pessoas com dinheiro e que queiram desafiar os Subaru Imprezas pagos por todos nós para um street-racing à portuguesa. Não, obrigado.

Ou seja, em que ficamos? Temos assassinos na faixa da esquerda, e descargas de adrenalina nos curtos troços onde há efectivamente uma faixa da direita. Qual será então a faixa de eleição do tuga pacato que só quer chegar ao destino?! A do meio, é óbvio. Querem mudar o comportamento do português ao volante? Façam auto-estradas decentes! Eu cá ainda vou esforçando-me por circular pela direita, mas se apanho mais algum susto valente por causa do traçado vergonhoso da A1, vou aderir ao lobby do meio e é já!!

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Via Verde para quem quer ter problemas...





Eu sou um orgulhoso NÃO-ADERENTE da Via Verde, e tenciono manter-me assim. A minha cara-metade já me perguntou várias vezes porque não adiro, e a minha explicação envolve geralmente um sub-conjunto dos seguintes motivos:

1 - Há alguns meses/anos atrás, a Brisa lançou uma campanha nos mesmos moldes da campanha dos dois dedos de testa da Galp, em que vendia o aparelhinho a metade do preço e chamava "inteligentes" a todos os que aderissem. Eu adoro campanhas publicitárias onde me chamam de burro... mais vontade tenho de continuar a ser burro, pois ter tipos do Marketing a triar quem é inteligente e quem é burro, faz tanto sentido como colocar o José Castelo Branco a administrar a Associação Portugusesa de Machos Latinos. Já dizia o outro: a ignorância é uma bênção. Neste caso, quem é "inteligente" e mete-se na Via Verde, não sabe os transtornos que aí vem... e até nem sabe que, por vezes, é mais barato pagar manualmente!

2 - A Brisa não é propriamente uma empresa simpática ao seu cliente! Acompanho por vezes uma ou outra salgalhada sobre as classes 1 e 2 no portal das Queixas, onde há carros que são classe 1 mas que insistem em cobrar Classe 2. No outro dia, li na AutoHoje, que fez um ensaio ao novo Opel Antara. Nesse ensaio, diziam que pagava classe 2 nas portagens, mas que se optasse por um kit de rebaixamento da suspensão por 500 euros, já pagava classe 1. Pensei logo: "pois sim, estou mesmo a ver a paciência de jó a quem fizer isso, e ter de explicar / refilar / reclamar sempre que passar por uma portagem nacional".

3 - Mais: a Brisa não gosta muito dos seus clientes. A Brisa sabe muito bem que, se um carro que circule numa AE da Brisa bater num animal que se atravessou na faixa de rodagem, a Brisa é obrigada a pagar os prejuízos (vejam este acórdão. Pois bem, no entanto, a Brisa contesta sempre, à espreita de apanhar algum totó que não conheça a lei, baldando-se às suas responsabilidades. Junta-se isso à inutilidade total dos painéis da A1, que pelos vistos só servem para dar as horas (ainda bem, porque 1% dos carros que circulam em Portugal não possuem essa informação no tablier), identificadores Via Verde que debitam dinheiro sem estarem autorizados a tal, a assistência péssima ao utente e à teimosia em não baixar os preços das portagens quando há obras prolongadas nos troços... acho que já deu para perceber uma tendência aqui.

Mas o principal motivo porque não tenho Via Verde é, precisamente, para ter paz e sossego! É verdade: ao não ser assinante Via Verde, tenho a certeza (?) que não recebo em minha casa nenhum Kinder surpresa a mandar pagar-me uma conta de portagem de uma A-qualquer que nunca fiz. Todos nós já vimos nos noticiários das 8: "Fulano X recebe intimação para pagar uma batelada de euros de portagens por pagar; no entanto, o fulano alega que nunca lá esteve."

É claro que há matrículas falsas, a Brisa está no seu direito de andar à caça de prevaricadores, tudo bem. Só que há sempre um senão nestas histórias todas: quando a vítima claramente tem razão, eles não desistem!. Só assim é que se percebe esta aberração do tractor a circular pela Via Verde.

Como nestes casos, pelos vistos, a vítima é que tem de se desdobrar para provar que não lesou a Brisa, não contem comigo. Não estou com vontade nenhuma em justificar porque passei numa A69 três vezes enquanto estava com o carro na garagem. Não tenho Via verde, não tenho problemas. Isto sim, é ter três dedos de testa.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Corrida para o café.



Não era bem este o Mercedes que vi, mas estão
a perceber o tipo de bólide passou por mim...


Há pouco tempo atrás, no último fim de semana, tive de fazer a A1 de Porto a Lisboa, ida e volta. Foram 37,30 euros de portagem e sensivelmente 640km x 5 L / 100 km x 1,29 euros de 95 do Leclerc / L = 41,3 euros de gasolina 95 (sim, 5 L/100km pois ando a pastar a 100 à hora na direita da AE, a controlar os consumos; não tenho acções de petrolíferas). Bem, digamos que há quem esteja pior, mas eu cá já ando farto de encher os bolsos ao Estado e gasolineiras, e vou meter GPL no meu 1.2 em breve.

Bem, perto de Estarreja, estava eu todo contente a traulitar uma música, quando de repente o meu carro abana todo... seria uma rajada de vento? Seria um pneu furado? Não, nada disso; foi uma carrinha Mercedes importada do estrangeiro que acabou de passar por mim prego a fundo, a bem mais de 160km/h. Lá foi o fulano, a enxotar todos os que andavam na faixa da esquerda com os seus máximos, na sua tentativa de quebrar o recorde de velodidade do dia.

Bem, nunca mais o vi, e fui andando. Mais à frente, já tinha passado por Fátima, e enquando ultrapassava um tipo que ainda ia mais devagar que eu (sim, também existem)... quem é que eu vejo no meu retrovisor? O fulano do Mercedes, ainda a 100 metros atrás de mim, mas já a mandar grandes faroladas como quem anda a dizer: "Sai daí! Não vez que esta faixa é só para os donos de Mercedes, Audis e BMW? Não lês o código?"

Bem, como eu faço sempre, deixo-me ainda um pouco na faixa esquerda para irritar ainda mais um pouco o homem (alguns ainda barafustam, é tão divertido), e depois mudo muito devagarinho para a faixa da direita. Assim que ele vê uma nesga, zás, mete o seu turbo-boost e lá vai ele a Mach-qualquer-coisa. Bem, partindo do princípio que o moço não deu a volta à Terra, já sabia como é que o tinha ultrapassado: ele esteve parado na estação de serviço um bom bocado!

Já não é a primeira vez que ouço pessoal a dizer que, agora, já se pode ser multado na A1 a partir dos tempos de entrada e saída na portagem; uma simples conta matemática dá a média de velocidade, e se exceder o limite d 120km/h, é multinha para casa. Se é um mito urbano ou não, eu não sei, nem tenciono descobrir. O certo é que a solução encontrada pelo tuga chico-esperto, não passa por abrandar: passa por parar um quarto de hora a meia hora numa estação de serviço, para tomar café!

Faz todo o sentido, não faz? Toca a andar na mecha como quem foge do Diabo durante metade da A1, para depois enfiar-se na estação de serviço, beber um café de 80 cêntimos e ler no jornal as novidades do boletim médico do Benfica. Quando já fez o Sudoku do jornal, é hora de entrar no carro e siga a Marinha a 180km/h até ao destino, enxotando todos os que circulam na faixa da elite.


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