Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



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sexta-feira, 18 de maio de 2007

ISV: A Inteligência de ir ao nosso bolso de outra maneira.





Segundo a AutoHoje, e algumas postas que encontrei num bisbilhotanço pela net, o novo ISV (Imposto Sobre Veículos) já está com o diploma quase aprovado. Pessoalmente, acho o ISV fantástico nas sua concepção: obriga o português auto-mobilizado a pagar mais, mas faz com que pareça que está a pagar menos! Mais uma maravilha do chico-espertismo deste Governo, que anda a concorrer ao mais alto nível com os malabarismos das empresas de crédito por telefone.

Trocado por miúdos, então é assim que funciona o ISV:

1 - O português com carro anda cravejado de impostos: É o IA à cabeça, IVA por cima do bolo, ISP sobre a gasosa, e finalmente o Selo de circulação. Como consequência dos preços absurdos dos carros novos e da tributação doentia da gasosa, as vendas de carros está a descer de ano para ano, bem como o consumo de gasolina. Resultado: menos receitas de impostos, e o Governo a pôr as mãos na cabeça... há que fazer qualquer coisa. Mas como?

2 - Simples: Vamos pôr os carros mais baratos, mas chular mais durante a vida do carro. Como resultado, com o ISV os carros vão ser mais baratos em média 500 euros, mas com o novo Selo de circulação (O Imposto Único de Circulação - IUC), vão ser mais caros 120 euros por ano. Como a média de troca de carros em Portugal situa-se entre 6 e 8 anos, façam as contas... catita, hã?

3 - O que vai acontecer? Para fulanos espertos como eu e o leitor, vamos todos agarrar-nos aos nossos carrinhos actuais para não andar a pagar 1000% mais de imposto de circulação. Por outras palavras, quando os portugueses aperceberem-se de que o governo vai meter mais a mão no nosso bolso com os carros novos a partir de 1 de Julho, o parque automóvel deste país vai envelhecer ainda mais!.

4 - A parte mais engraçada desta palhaçada é o argumento do CO2... nos carros novos, quem polui mais, paga mais. E nos carros velhos/importados? Quem é mais antigo (e polui mais), paga menos. Acho esta medida espectacular... importar um Diesel estrangeiro todo roto da Alemanha e sem catalisador, que carbura como um carrinho de castanhas, facilmente paga menos imposto "ecológico" do que um carro novo actual.

5 - A opção é óbvia: Andem com os vossos carros mais uns aninhos. Importem as sucatas do estrangeiro, deixem os Alemães sufocarem com ar puro e cumprirem as quotas de CO2 impostas pela UE! Nós, os portugueses que somos tão simpáticos para a estrangeirada toda, não nos importamos nada de ficar com as vossas sucatas, e de andar no meio da fumarada! Até fica mais barato, pois o Governo até dá uma ajudinha...

Para a malta que (coitada) lá vai comprar carro novo, tomem lá um simulador de impostos ISV e IUC para carros novos, dada por um blogue dedicado ao ISV e ao IUC. Ah, e quanto às nossas queridas e prestigiantes sucatas vindas da Alemanha? Também há.

Actualização da Tarde:

O Hugo Pereira, dono do blogue da Estrada Viva, indicou-me um URL de um excelente simulador de custos IA/ISV. Eu já fiz e, se comprasse hoje o meu carro novamente (1200cm3 e 140g/km de CO2), pagava mais daqui a 12 anos. Isto, claro, se os vendedores de automóveis decidirem NÃO APROVEITAR a descida real do preço final dos carros para imediatamente inflacionar os preços e aumentar os seus lucros... o que, a meu ver, é tão provável como o Benfica ser campeão este ano. Obrigado pela dica, Hugo.

P.S.: Quem é o Ministro do Ambiente? Alguém sabe? Esse tipo não tem nada a dizer? Metam a PJ a procurar o tipo, que foi raptado!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Acabou o IA - Imposto Aberrante, viva o ISV - Imposto da Sucata Velha!!!



Importados em 2ª mão... mais tuga que isto, não há!


Este país é um autêntico paraíso para os poluidores. Alguém já multou um suinicultor por causa do rio Lis? Mmm não me pareceu. Pois a partir de Julho, o aborto do Imposto Automóvel (IA), também conhecido por Imposto Aberrante (provavelmente, o único imposto sobre imposto do mundo e arredores), vai dar origem a outro aborto, o Imposto Sobre Veículos (ISV), que eu quero baptizá-lo de Imposto da Sucata Velha!, e que vai revolucionar o mercado de poluentes de Portugal.

Uma das grandes aberrações do novo ISV é continuar a incentivar a importação de carros importados em 2ª mão, ou seja, a sucata velha que os outros países não querem. Segundo o presidente da ANECRA, Ferreira Nunes, "está provado que 75% dos carros importados [em 2ª mão, do estrangeiro para Portugal] têm mais de 10 anos". E mais: essas sucatas com mais de 10 anos continuarão a beneficiar de 80%, repito, 80% de desconto no ISV. Catita, hã?

Em resumo, o ISV está tão preocupadinho com o ambiente, coitadinho, como eu estou preocupado com a côr das cuecas de fio dental que o José Castelo Branco usa nas festas! O ISV penaliza mais um automóvel novo e barato com catalisador e motores eficientes e económicos, ou seja, o automóvel que o português compra para poder trabalhar, enquanto não taxa uma sucata velha construída no tempo da TV a preto e branco, que o outro português normalmente compra para se pavonear.

Ah pois é! Neste país de exibicionistas, um Mercedes com 30 anos a cair de podre e a emitir fumo como uma barraquinha de castanhas quentes, como o aborto que fotografei acima, continua a dar mais status ao dono do que se comprasse um Fiat Punto novinho, bem mais económico e amigo do ambiente. E o ISV até dá uma forcinha.

Mas esperem aí: o que aconteceria se eu quisesse importar uma sucata como à da fotografia? De certeza que um imposto tão verde como o ISV dava-me logo umas chicotadas valentes, logo depois de ligar essa máquina e sair do escape um fumo semelhante a carvão em pó... mas não! Segundo o AutoHoje, "No caso dos imporetados, o Governo permite que o CO2 seja calculado com base no modelo actual da gama equivalente da mesma marca, já que as medições de CO2 nos centros de importação não são conclusivas quanto ao valor real de CO2 de cada viatura".

Ou seja, o Governo não quer considerar a poluição real que este carro com 30 anos faz; prefere considerar a poluição do seu modelo equivalente hoje, ou seja, um Mercedes novo muito mais evoluído e que deve poluir dez vezes menos. Epá, há coisas fantásticas, não há? E viva o novo ISV, o Imposto da Sucata Velha!!!


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