Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



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sexta-feira, 23 de março de 2007

Suckaten estrangeiraischen ist muiten gut!





O Diário Desportivo, numa notícia publicada há uma semana, acabou de despedaçar em mil pedaços uma dos maiores mentiras actuais: os portugueses importam carros usados estrangeiros com pouco uso. Será?

Contas fechadas, a importação de suca... carros usados do estrangeiro em 2006, saldou-se em 43781 unidades. Nesse mesmo ano, em Portugal, venderam-se 194684 automóveis novos, ou seja, são cerca de 22,5% do total! Um em cada 5 carros novos em Portugal é um carro usado do estrangeiro.

Senhor leitor, está chocado com o termo "sucata"? É que há uma questão preocupante: 75% das importações são veículos com mais de 10 anos, na sua grande maioria vindos da Alemanha. Ou seja, 75% de 43781 dá 32836 carros. Dividindo por doze meses, dá a módica quantia de 2736 carros por mês que já podem ir para o centro de abate para se receber 1000 euros de desconto no IA. Sejamos claros: se o Governo incentiva o abate de carros com mais de 10 anos, é porque muitos deles já cheiram a sucata.

Ah, e são 91 sucatas importadas do estrangeiro com mais de 10 anos que são importadas por dia. Escusa de pegar na calculadora. A distribuição por marcas não surpreende: 13771 Mercedes, 9239 Audi, 5844 VW e 4956 BMW. Ou seja, sobram 9971 carros de outras marcas. Porquê estas marcas?! Porque assim o português sobe de estatuto, acha-se superior ao vizinho e até pode circular alegremente na faixa à esquerda da AE, mandando faroladas a todos os carros não-alemães que ousam ir para essa faixa elitista.

Sim, é claro que muitos carros com 10 anos ainda estão para as curvas! Mas porquê este fetiche por carros com mais de 10 anos? Porque é que ter uma carrinha Audi com mais de 10 anos, que custa metade do preço novo de um Clio, é sinal de esperteza? Eu não quero comprar um carro com mais de 10 anos! Para mim, um carro usado é como uma sanita pública: fico sempre desconfiado de quem lá se sentou antes...

terça-feira, 13 de março de 2007

E viva a sucata e a corrupção.





Há duas características que são intrínsecas nos genes dos portugueses: a capacidade de perdigotar por completo um microfone de uma reportagem, e a capacidade de fazer corrupção em todo o tipo de negócios.

Quanto ao negócio da venda da sucata velha pelo Estado, lembram-se? Os resultados já saíram. No total, o Estado conseguiu arrecadar cerca de 144 mil euros, hã? Nada mal. É apenas o valor do Audi A8 topo de gama que o Santana Lopes quis comprar para impressionar as santanetes, à custa do orçamento da Câmara. Por outras palavras, se esse palhaço estivesse quieto, o Estado mandava estas viaturas para a sucata, e ficava tudo na mesma.

Bem, mas como estamos em Portugal, o Correio da Manhã denuncia que há sucateiros ilegais que compram veículos nestas hastas públicas. Agora, como as OPAs estão na moda, digamos que eles têm uma golden-share... como é que eu não estou surpreendido... A notícia é a seguinte:

Segundo o CM apurou, há em Portugal centenas de empresas de desmantelamento de automóveis não licenciadas, ou seja, que não cumprem os requisitos de infra-estrutura e equipamento impostos pela legislação comunitária. Algumas aproveitam as hastas públicas do Estado para adquirir veículos em fim de vida. A empresa Sucacentro é um exemplo. Não licenciada, já participou por várias vezes em leilões realizados pela DGP. No ano passado, a Sucacentro comprou três automóveis, em duas hastas públicas: um Toyota Hilux de 1988, um Citroën C15 de 1990 e uma Ford Transit de 1987. No leilão da passada sexta-feira, o CM sabe que responsáveis desta empresa também estiveram presentes.

Contactada pelo CM, a Valorcar confirmou que a Sucacentro é uma empresa ilegal, tendo já sido denunciada às entidades competentes. “Já denunciámos esta empresa à Inspecção-Geral do Ambiente e à Sepna, brigada da GNR responsável pelas questões do ambiente”, disse Ricardo Furtado, director-geral da Valorcar. “A Sucacentro foi autuada, mas continua no activo”, acrescentou Ricardo Furtado.

A Valorcar, licenciada desde 2004, gere o sistema de desmantelamento de carros velhos, sendo responsável pelo seu licenciamento. Neste momento há vinte empresas licenciadas e mais dez em fase final de aprovação. “O licenciamento é um processo demorado e que exige um grande investimento. Só em equipamento é necessário gastar cerca de 35 a 50 mil euros”, explicou Ricardo Furtado.

Questionado sobre a participação destas empresas em leilões de veículos do Estado, o responsável pela Valorcar foi claro. “Havendo o risco de sucateiros comprarem veículos em hastas públicas, a DGP deve desenvolver mecanismos para assegurar que estes carros não vão para abate ou, se forem, que o sejam em empresas licenciadas.”

Contactado pelo CM, o Ministério das Finanças, entidade que tutela a Direcção-Geral do Património, referiu que “não cabe à DGP aferir da idoneidade dos compradores que estão presentes nos leilões”. As Finanças aguardam que as entidades competentes (Inspecção-Geral do Ambiente) comuniquem as conclusões das investigações.


Ou seja, enquanto anda tudo mergulhado na burocracia enfadonha entre ministérios, há empresas que compram essa sucata em fim de vida por um valor bem inferior ao do desconto no IA de abate, obtendo o seu lucro no abate dessas mesmas viaturas... catita, hã? E não há denúncias e multas que as impeçam de voltar às hastas... é como os viciados no jogo a rondar os casinos.

Já agora, senhor Ministro das Finanças: já reparou que na sua lista de carros "clássicos", há muitos portugueses que nem chegaram a licitar? Como por exemplo, o raríssimo Opel Corsa de 1986, de 200 euros... das duas uma: ou os portugueses são uns broncos e não sabem apreciar automóveis clássicos, ou então o cinto já aperta tanto que já faz sangue...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Ajude o Estado, compre sucata velha!



"Senhoras e senhores, tenho aqui um clássico...
er... carro qualquer, em estado medíocre. A
base de licitação é 1 euro. Quem dá mais?"


Pois é, hoje serão vendidos cerca de 131 veículos da Direcção Geral do Património, na sua Hasta Pública nº 1 de 2007. Aqui fica a lista, onde se pode ver que 90 deles foram classificados em mau estado. A maioria dos carros estão a preço de saldo, porque... bem... estão em mau estado. Podem ver vocês mesmos algumas imagens e comentários sobre alguns dos carros que algumas pessoas foram visitar.

Onde anda o Ministro do Ambiente? Já agora, alguém sabe se temos algum Ministro do Ambiemte? É que não sei o nome dele, nem nunca aparece na televisão... se calhar, ele devia ter alguma coisa a dizer, isto se o Sócrates não lhe meteu uma rolha na boca.

Segundo o Diário Digital, o ACP já contestou a venda de automóveis velhos do Governo, e defende o abate dos veículos e acusa o Governo de mau exemplo. Como se entende perfeitamente.

"Ao todo vão ser vendidos 131 veículos, dos quais 90 classificados em mau estado pela Direcção-Geral do Património, a maioria devido à sua idade, superior a 15 anos. «O governo incentiva os cidadãos a abater os automóveis, por questões que se prendem com a segurança e a poluição rodoviária. Mas, quando se trata do seu próprio envelhecido parque automóvel, o Estado coloca-o no mercado», refere a direcção do ACP, em comunicado hoje divulgado.

"O Ministério das Finanças, contactado pela agência Lusa, argumenta que os veículos colocados em praça com maior antiguidade são veículos que «quase já se podem considerar como clássicos e que despertam muito interesse dos coleccionadores»".

O Ministro Teixeira dos Santos, grande connoisseur de automóveis clássicos, sabe do que fala. E os ministros percebem muito de carros e da realidade portuguesa, senão não andavam na A1 a mais de 200km/h sem serem multados. Ele fala de clássicos como por exemplo um Ford Fiesta de 1991 por 250 euros(2), uma Toyota Hiace de 1992 (62), as Renault Traffic e Master (36 ao 41), ou os bem clássicos Fiat Uno e Puntos ou Opel Corsa, que há à paletes na lista, todos em mau estado. Ou seja, clássicos à portuguesa, que qualquer um gostaria de ter na garagem.

"Segundo a mesma fonte, só vão ser vendidos os veículos cujo estado de conservação ainda permite a sua circulação."

Ao que parece, há lá um Toyota que não tem motor. Mas isso é um detalhe minúsculo. Avante.

«Os veículos cujo estado de conservação já não permite recuperação são considerados veículos em fim de vida e o seu destino obedece à legislação ambiental em vigor. Assim aconteceu em Julho de 2006 com o desmantelamento qualificado de 165 veículos», adianta o Ministério.

Ok, já percebi: no fundo, já sabem que a maioria dos carros nem se mexe, e o que eles querem é vender os carros para peças. Resta saber qual é o sucateiro que paga mais de 600,00 € por uma Bedford KBD 46 de 1983, em estado medíocre, só para peças...

O ACP defende que o anúncio de venda de veículos do Estado demonstra que «as regras são só para os outros cumprirem e em nada contribui para a modernização do parque automóvel português».
O Ministério das Finanças lembra que a Direcção-Geral do Património está isenta do pagamento do Imposto Automóvel (IA) e não pode usufruir do regime de incentivo fiscal à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida, que reveste a forma de dedução do IA aquando da aquisição de um automóvel ligeiro novo.


Por outras palavras: O Estado não ganha nada em destruir os veículos. Mas é capaz de ganhar uns trocos a vender sucata velha e imprópria para circular nas estradas. E mais: ganha no imposto da gasolina, pois esses carros não são propriamente tecnologia de ponta quanto à economia de combustível. Mais uns impostositos de matrículas e de seguros, postos de inspecção (que vão chumbar esses carros, de certeza) e temos uma bela factura! Os donos, muito provavelmente, não poderão abater os veículos lá no regime de abate e desconto no IA, porque são proprietários desses veículos há pouco tempo. Digam lá se o Ministro das Finanças não é uma cabecinha pensadora, hã? Que se lixe a ética, viva o dinheiro!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Acabou o IA - Imposto Aberrante, viva o ISV - Imposto da Sucata Velha!!!



Importados em 2ª mão... mais tuga que isto, não há!


Este país é um autêntico paraíso para os poluidores. Alguém já multou um suinicultor por causa do rio Lis? Mmm não me pareceu. Pois a partir de Julho, o aborto do Imposto Automóvel (IA), também conhecido por Imposto Aberrante (provavelmente, o único imposto sobre imposto do mundo e arredores), vai dar origem a outro aborto, o Imposto Sobre Veículos (ISV), que eu quero baptizá-lo de Imposto da Sucata Velha!, e que vai revolucionar o mercado de poluentes de Portugal.

Uma das grandes aberrações do novo ISV é continuar a incentivar a importação de carros importados em 2ª mão, ou seja, a sucata velha que os outros países não querem. Segundo o presidente da ANECRA, Ferreira Nunes, "está provado que 75% dos carros importados [em 2ª mão, do estrangeiro para Portugal] têm mais de 10 anos". E mais: essas sucatas com mais de 10 anos continuarão a beneficiar de 80%, repito, 80% de desconto no ISV. Catita, hã?

Em resumo, o ISV está tão preocupadinho com o ambiente, coitadinho, como eu estou preocupado com a côr das cuecas de fio dental que o José Castelo Branco usa nas festas! O ISV penaliza mais um automóvel novo e barato com catalisador e motores eficientes e económicos, ou seja, o automóvel que o português compra para poder trabalhar, enquanto não taxa uma sucata velha construída no tempo da TV a preto e branco, que o outro português normalmente compra para se pavonear.

Ah pois é! Neste país de exibicionistas, um Mercedes com 30 anos a cair de podre e a emitir fumo como uma barraquinha de castanhas quentes, como o aborto que fotografei acima, continua a dar mais status ao dono do que se comprasse um Fiat Punto novinho, bem mais económico e amigo do ambiente. E o ISV até dá uma forcinha.

Mas esperem aí: o que aconteceria se eu quisesse importar uma sucata como à da fotografia? De certeza que um imposto tão verde como o ISV dava-me logo umas chicotadas valentes, logo depois de ligar essa máquina e sair do escape um fumo semelhante a carvão em pó... mas não! Segundo o AutoHoje, "No caso dos imporetados, o Governo permite que o CO2 seja calculado com base no modelo actual da gama equivalente da mesma marca, já que as medições de CO2 nos centros de importação não são conclusivas quanto ao valor real de CO2 de cada viatura".

Ou seja, o Governo não quer considerar a poluição real que este carro com 30 anos faz; prefere considerar a poluição do seu modelo equivalente hoje, ou seja, um Mercedes novo muito mais evoluído e que deve poluir dez vezes menos. Epá, há coisas fantásticas, não há? E viva o novo ISV, o Imposto da Sucata Velha!!!


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