Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



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domingo, 24 de agosto de 2008

Semi-novo é quando o homem quiser!





Eu divirto-me com tudo. A sério! Até a ler anúncios de automóveis consigo sacar uma ou outra gargalhada, seja ela por causa de um preço de um carro tuning bem optimista (ah e tal, até foi capa de revista, poupem-me...), seja por causa de um "Alfa Romeu" (nem se dão ao trabalho de corrigir um anúncio com 100 letras), seja por causa dos anúncios dos semi-novos!

Os semi-novos são, segundo o vendedor, carros novos a preços de usados. Para o comprador, são carros usados a preço de novos. Para mim, são a palavra da moda, tal como o "aloe-vera" está para os iogurtes e os detergentes, e os "gourmets" para comida rasca que quer ser vendida mais cara. Ou seja, mais um isco dourado para despachar carros usados. É assim mesmo, pois só há DOIS tipos de carros: os novos e os usados. ponto final.

Mas como a lata dos vendedores não tem limites, podemos sempre apreciar pérolas como esta verdadeira preciosidade, registada pelo nosso colega Vítor Magalhães em Grândola, enquanto levava a famelga para passear ao Allllgarve. De facto, há quem diga que a idade é um estado de espírito, e é uma boa tirada para o vendedor justificar a distinta lata com que vende este pobre clássico.

Vale tudo. Tenham cuidado, meus amigos. Vale tudo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ah, eles estavam a tentar vender este carro, não é?






Por esta altura do campeonato, você decerto que já foi bombardeado várias vezes com o anúncio do novo Skoda Fabia Break... sabem, aquele anúncio com um chavalo armado em Star-Trek e um pai babado, que em vez de dar um par de estalos ao puto por andar a comportar-se como um otário quando já devia estar na cama, ainda acha normal andar vestido assim durante a noite e numa espécie de descampado (que felizmente não se parece com o Parque Eduardo VII)!!! Onde é que está a Segurança Social quando precisamos dela?!

Quando achava que estava a salvo dessa publicidade idiota enquanto chafurdava no meu portátil, eis que leio uma notícia num jornal online português (que começa com C, acaba em Ã, e com as letras "orreiodamanh" no meio), e vejo esta publicidade medonha no meio da notícia! Fiquei tão siderado com este ficheiro Flash que decidi eu próprio alojá-lo e partilhar com o resto da malta. Espero que o mentor desta animação receba bem a crítica que vou fazer, pois para mim é dos banners mais parvos em que já tive o desprazer de gastar a minha quota mensal de MB.

Perante a mensagem inicial de "Adapte-se a uma nova realidade" com mais uma vez o chavalo irritante na sua fatiota de astronauta, eis que a publicidade segue com um carro a cair do nada, e a aterrar perto do outro. A minha ténue esperança de que o carro efectivamente iria esmagar o chavalo não se concretiza, e o anúncio termina com um conselho bem estranho: "Conquiste o seu espaço!" Mas o que isso quer dizer?! Eu não quero conquistar nada!! Eu quero é fugir dos novos Fabia, pois parece que andam por aí a saltar que nem pulgas. E tudo isto perante a passividade daquela espécime de pai, que não contente com o belo geek que já procriou em primeiro plano, parece já tem outro a enveredar pelo mesmo caminho!

Se o objectivo da publicidade era despertar em mim o meu desejo em comprar uma Fabia, temo que tenham falhado rotundamente: Em primeiro lugar, o anúncio sugere que, se adquirir um Fabia, os meus filhos correm o verdadeiro risco de se tornarem "trekkies" doentios, que vão levar muita porradinha na escola, terem acne até aos 25 anos e nunca casarem. Pelos vistos, é essa a "realidade" ao qual me tenho de adaptar?! Em segundo lugar, não obrigado, não ando à procura de um carro que ande aos saltos sozinho. E não preciso de conselhos para andar a conquistar o meu espaço, meus senhores! Quem enfrenta todos os dias as filas para entrar em Lisboa, já tem um verdadeiro doutoramento em ocupação de espaços.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ó ANECRA, e que tal darem-nos um descontinho? É que nós não somos burros!





De certeza que o leitor já viu um destes excelentes anúncios do BES sobre crédito automóvel, mostrando as diversas "técnicas de vendas" dos vendedores automóveis portugueses. O anúncio na minha opinião está muito bem conseguido, e é uma lufada de ar fresco na vulgar pirosidade com que se pode qualificar o reclame típico na televisão portuguesa. E acho que não fui só eu que achei o anúncio escandalosamente perto da realidade, pois não?

Ora, o Bruno Nogueira, naquelas rábulas do Tubo de Ensaio da TSF, referiu que a Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA para os amigos) decidiu fazer queixinhas a tudo e todos, desde à AdC até ao Banco de Portugal, alegando que os anúncios "retratam os comerciantes/vendedores de automóveis, como pessoas pouco credíveis e denegrindo de forma grosseira a imagem da profissão".

Pouco credíveis? Vendedores de automóveis? Realmente, como é que se alguém se lembra de associar o conceito de desonestidade ao conceito de venda de automóveis? Bem, assim de repende, só me occore um único tipo de pessoas: aquelas que nunca compraram um carro!

Quando comprei o meu carro, novo em 2003, andei indeciso entre dois stands (X e Y) que vendiam o mesmo modelo de carro, a ver quem fazia mais barato. O stand X disse que não baixava mais o preço, e decidi comprar no stand Y, que fazia mais barato, e porque o vendedor na altura aplicou-me a técnica #6 do BES: o "conterrâneo" (afinal de contas, ele era vizinho do meu tio, e chegámos a jogar futebol juntos quando éramos miúdos).

Quanto o tipo do stand X soube que tinha fechado negócio com o stand Y, virou-se para mim com um indignadíssimo: "Mas porque é que fez isso? Passava por cá, que nós revíamos o orçamento para o carro!", ao qual eu respondi com um muito inocente: "Mas não tinha dito que não podia baixar mais? Eles baixaram mais!", ao qual vi claramente o vendedor do stand X a contorcer-se com tamanha ignorância da minha parte, pois pelos vistos devia ter assumido que afinal ele podia mesmo descar o preço, era apenas uma mentira inocente. Ainda hoje guardo na minha memória a expressão facial que ele fez, um verdadeiro atestado de incompetência na arte de transacção de automóveis. Ao que parece, ele devia achar que pessoas como nós tiram um gozo pessoal em andar em pingue-pongues regateadores, como se não tivessem mais nada para ocupar o tempo e os seus neurónios!!

Foi o meu primeiro carro, e na altura ainda não sabia que a aquisição de viaturas automóveis se tinham de reger pelas tradições marroquinas. Eu por mim, até compro o carro pela Internet, pago por MBNet e espero que me apareça na caixa do correio! E decerto que cada um de vocês possui a sua própria história de horrores (e também de elogios) durante a aquisição dos vossos carros. O vendedor do stand Y portou-se bem comigo e não tenho nada a apontar.

O meu kit de GPL está a fazer um ano e já andei mais de 15.000km a metade do preço da gasosa. Tive sorte com o meu carro: a fazer 5 anos, não avaria e está para durar. Enquanto continuar assim, não vou trocarde carro. E quando pensar em trocar, vou passar uma semana na Tunísia antes, para treinar a arte de regatear e de manipular. Isto, claro, se entretanto não houver carros à venda directamente na Internet.


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Corrigir não é retirar!






O nosso colega TIFFOSI decidiu partilhar com a malta uma pérola que encontrou neste leilão do Miau!, que entretanto já foi removido. No entanto, uma pesquisa à cache do Google por "retirar KM" ainda produz resultados, que, para serem mais duradouros, converti nas imagens que estão aqui, no cantinho do costume. Para ler e chorar por mais.

Porquê honras de posta? Porque é um caso espantoso de mais uma iniciativa chico-espertice de um português, que tenta aproveitar a ganância de outros portugueses para adulterar os quilómetros de carros usados, que por sua vez irá lucrar com a imbecilidade do português médio, que deseja de todas as formas ter um carro melhor do que o do vizinho, nem que para isso compre uma carrinha da Alemanha em 2ª mão, que "só" tem 60.000km em 6 anos, um achado único. Eu tenho uma teoria de que o português não se importa de ser enganado, desde que o objecto que o enganou ainda mantenha as características de emanação de inveja para os outros...

Mas, numa filosofia semelhante a quem vende armas (é legal, o que se faz com elas é que não é da sua conta), o vigarista em questão, que dá pelo nome de Luís Subtil, de Paredes, recorre-se a um engenhoso subterfúgio, que é a nossa língua: ele realça que o sistema "corrige" os quilómetros, e que isso não é ilegal: ilegal seria retirar quilómetros. Esta engenharia linguística é uma necessidade premente de quem anda nestes negócios mesmo no limiar da legalidade, e é bem capaz de resultar numas situações hilariantes. A minha mente mirabolante já pensou numas tiradas geniais, a ver se potencio mais leilões fenomenais:

"- Olhe, eu vender isto, não posso porque é contra a lei. Agora, posso é fazer um contrato de aluguer por tempo indeterminado, por uma contrapartida que pode ser monetária."

"- Bem, ó xuning, posso instalar esta abufadeira quádrupla que faz mais barulho que um OzzFest. Legal, não é, agora, se olhar-mos para isto como uma ligação de um protótipo experimental de exaustão de gases de combustão numa óptica meramente científica, com o intuito de determinar uma correlação empírica e cálculo de constantes de proporção entre a emissão de ruídos em decibéis e os caudais de matéria gasosa, numa óptica ja disse, puramente científica, com vista à publicação de um artigo científico na Nature, deve passar na IPO".

"- Ó Senhor Guarda, eu sei que ia a 90, quando dizia na placa 50, mas eu assumi que era 50 metros por segundo, e como o meu velocímetro é a quilómetros por hora, fiz a conversão matemática e verifiquei que estava dentro dos limites."

Que espectáculo! E a pensar que ainda há malta que compra carros usados com menos de 100.000km, sem saber a origam do dito...


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Olhó caaaaaaaaaarrro quentinho!


Confesso que por vezes pareço mesmo burro platinado; há coisas que não cosigo fazer, tipo ver 5 minutos da Família Superstar, que já é um programa para, vá lá, gente não muito abonada em células raciocínicas. Mas vá lá, não sou só eu... o nosso caríssimo colega José Carlos Martins fez-me chegar esta imagem, penso eu, também com o indicador a coçar o couro cabeludo, pois deve também ter ficado temporariamente loiro com isto...




Pois é precisamente isso: o Correio da Manhã tem, na sua secção de Classificados, uma secção de venda de... "Viaturas Roubadas". Digamos que não é assim muito usual, mas se calhar, são os sinais do tempo; no Porto, se te roubassem o auto-rádio na 6ª à noite, só tinhas de ir à Vandoma no sábado de manhã, para o comprares de volta; hoje, pelos vistos, vais ver os classificados à internet!!

Mas vamos lá ser justos: uma análise mais profunda à imagem revela que o screenshot já tem mais de um ano, pelo que obviamente tal brincadeira do engraçadinho do webmaster já deve ter sido retirada. Ora, aqui fica a screenshot de hoje:



Ou seja, não, não é mentira; pelos vistos, há mesmo um nicho de mercado, o de anúncios PÚBLICOS para a VENDA de viaturas ROUBADAS, a começar a ser explorado! Agora, no alto da minha burrice passageira, eu não estou a ver quem é que colocaria um anúncio lá; isto porque tenho a certeza que a Polícia a deve ter recrutado um gajo, cujo trabalho é abrir um browser, meter-se nesta página, e depois andar a "refrescar" a página de 5 em 5 minutos. Isto e procurar por "Maddie" no Google Maps.

Das duas uma: ou os fulanos do Correio da Manhã são mesmo visionários, ou isto não passa de mais uma estupidez à portuguesa. Corrijam-me se estiver enganado, mas se alguém encontrar ou resgatar um carro roubado... ENTREGA-O ao dono, não o VENDE! Seja como for, eu fui ver e... não havia anúncios de carros roubados a vender. Atrevo-me a dizer o porquê, mas acho que vou guardar para mim. Não quero correr o risco de parecer muuuuito burro.

terça-feira, 29 de maio de 2007

O stand do ToninhoCar!



O stand do ToninhoCar... dos cavalheiros do apocalipse.


Tenho acompanhado a saga dos cavalheiros do apocalipse com mais ansiedade do que a série Lost! Estes tipos são uns senhores, qualquer dia a RTP contrata-os e mete-os Domingo à noite, relegando os gatos para andar a batalhar com o Hora H as audiências da madrugada!

Ora aqui vai o novo episódio deles, sobre os vendedores de automóveis tugas. Tem até terço e tudo... estes tipos são fenomenais! Abraços.

terça-feira, 13 de março de 2007

E viva a sucata e a corrupção.





Há duas características que são intrínsecas nos genes dos portugueses: a capacidade de perdigotar por completo um microfone de uma reportagem, e a capacidade de fazer corrupção em todo o tipo de negócios.

Quanto ao negócio da venda da sucata velha pelo Estado, lembram-se? Os resultados já saíram. No total, o Estado conseguiu arrecadar cerca de 144 mil euros, hã? Nada mal. É apenas o valor do Audi A8 topo de gama que o Santana Lopes quis comprar para impressionar as santanetes, à custa do orçamento da Câmara. Por outras palavras, se esse palhaço estivesse quieto, o Estado mandava estas viaturas para a sucata, e ficava tudo na mesma.

Bem, mas como estamos em Portugal, o Correio da Manhã denuncia que há sucateiros ilegais que compram veículos nestas hastas públicas. Agora, como as OPAs estão na moda, digamos que eles têm uma golden-share... como é que eu não estou surpreendido... A notícia é a seguinte:

Segundo o CM apurou, há em Portugal centenas de empresas de desmantelamento de automóveis não licenciadas, ou seja, que não cumprem os requisitos de infra-estrutura e equipamento impostos pela legislação comunitária. Algumas aproveitam as hastas públicas do Estado para adquirir veículos em fim de vida. A empresa Sucacentro é um exemplo. Não licenciada, já participou por várias vezes em leilões realizados pela DGP. No ano passado, a Sucacentro comprou três automóveis, em duas hastas públicas: um Toyota Hilux de 1988, um Citroën C15 de 1990 e uma Ford Transit de 1987. No leilão da passada sexta-feira, o CM sabe que responsáveis desta empresa também estiveram presentes.

Contactada pelo CM, a Valorcar confirmou que a Sucacentro é uma empresa ilegal, tendo já sido denunciada às entidades competentes. “Já denunciámos esta empresa à Inspecção-Geral do Ambiente e à Sepna, brigada da GNR responsável pelas questões do ambiente”, disse Ricardo Furtado, director-geral da Valorcar. “A Sucacentro foi autuada, mas continua no activo”, acrescentou Ricardo Furtado.

A Valorcar, licenciada desde 2004, gere o sistema de desmantelamento de carros velhos, sendo responsável pelo seu licenciamento. Neste momento há vinte empresas licenciadas e mais dez em fase final de aprovação. “O licenciamento é um processo demorado e que exige um grande investimento. Só em equipamento é necessário gastar cerca de 35 a 50 mil euros”, explicou Ricardo Furtado.

Questionado sobre a participação destas empresas em leilões de veículos do Estado, o responsável pela Valorcar foi claro. “Havendo o risco de sucateiros comprarem veículos em hastas públicas, a DGP deve desenvolver mecanismos para assegurar que estes carros não vão para abate ou, se forem, que o sejam em empresas licenciadas.”

Contactado pelo CM, o Ministério das Finanças, entidade que tutela a Direcção-Geral do Património, referiu que “não cabe à DGP aferir da idoneidade dos compradores que estão presentes nos leilões”. As Finanças aguardam que as entidades competentes (Inspecção-Geral do Ambiente) comuniquem as conclusões das investigações.


Ou seja, enquanto anda tudo mergulhado na burocracia enfadonha entre ministérios, há empresas que compram essa sucata em fim de vida por um valor bem inferior ao do desconto no IA de abate, obtendo o seu lucro no abate dessas mesmas viaturas... catita, hã? E não há denúncias e multas que as impeçam de voltar às hastas... é como os viciados no jogo a rondar os casinos.

Já agora, senhor Ministro das Finanças: já reparou que na sua lista de carros "clássicos", há muitos portugueses que nem chegaram a licitar? Como por exemplo, o raríssimo Opel Corsa de 1986, de 200 euros... das duas uma: ou os portugueses são uns broncos e não sabem apreciar automóveis clássicos, ou então o cinto já aperta tanto que já faz sangue...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Ajude o Estado, compre sucata velha!



"Senhoras e senhores, tenho aqui um clássico...
er... carro qualquer, em estado medíocre. A
base de licitação é 1 euro. Quem dá mais?"


Pois é, hoje serão vendidos cerca de 131 veículos da Direcção Geral do Património, na sua Hasta Pública nº 1 de 2007. Aqui fica a lista, onde se pode ver que 90 deles foram classificados em mau estado. A maioria dos carros estão a preço de saldo, porque... bem... estão em mau estado. Podem ver vocês mesmos algumas imagens e comentários sobre alguns dos carros que algumas pessoas foram visitar.

Onde anda o Ministro do Ambiente? Já agora, alguém sabe se temos algum Ministro do Ambiemte? É que não sei o nome dele, nem nunca aparece na televisão... se calhar, ele devia ter alguma coisa a dizer, isto se o Sócrates não lhe meteu uma rolha na boca.

Segundo o Diário Digital, o ACP já contestou a venda de automóveis velhos do Governo, e defende o abate dos veículos e acusa o Governo de mau exemplo. Como se entende perfeitamente.

"Ao todo vão ser vendidos 131 veículos, dos quais 90 classificados em mau estado pela Direcção-Geral do Património, a maioria devido à sua idade, superior a 15 anos. «O governo incentiva os cidadãos a abater os automóveis, por questões que se prendem com a segurança e a poluição rodoviária. Mas, quando se trata do seu próprio envelhecido parque automóvel, o Estado coloca-o no mercado», refere a direcção do ACP, em comunicado hoje divulgado.

"O Ministério das Finanças, contactado pela agência Lusa, argumenta que os veículos colocados em praça com maior antiguidade são veículos que «quase já se podem considerar como clássicos e que despertam muito interesse dos coleccionadores»".

O Ministro Teixeira dos Santos, grande connoisseur de automóveis clássicos, sabe do que fala. E os ministros percebem muito de carros e da realidade portuguesa, senão não andavam na A1 a mais de 200km/h sem serem multados. Ele fala de clássicos como por exemplo um Ford Fiesta de 1991 por 250 euros(2), uma Toyota Hiace de 1992 (62), as Renault Traffic e Master (36 ao 41), ou os bem clássicos Fiat Uno e Puntos ou Opel Corsa, que há à paletes na lista, todos em mau estado. Ou seja, clássicos à portuguesa, que qualquer um gostaria de ter na garagem.

"Segundo a mesma fonte, só vão ser vendidos os veículos cujo estado de conservação ainda permite a sua circulação."

Ao que parece, há lá um Toyota que não tem motor. Mas isso é um detalhe minúsculo. Avante.

«Os veículos cujo estado de conservação já não permite recuperação são considerados veículos em fim de vida e o seu destino obedece à legislação ambiental em vigor. Assim aconteceu em Julho de 2006 com o desmantelamento qualificado de 165 veículos», adianta o Ministério.

Ok, já percebi: no fundo, já sabem que a maioria dos carros nem se mexe, e o que eles querem é vender os carros para peças. Resta saber qual é o sucateiro que paga mais de 600,00 € por uma Bedford KBD 46 de 1983, em estado medíocre, só para peças...

O ACP defende que o anúncio de venda de veículos do Estado demonstra que «as regras são só para os outros cumprirem e em nada contribui para a modernização do parque automóvel português».
O Ministério das Finanças lembra que a Direcção-Geral do Património está isenta do pagamento do Imposto Automóvel (IA) e não pode usufruir do regime de incentivo fiscal à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida, que reveste a forma de dedução do IA aquando da aquisição de um automóvel ligeiro novo.


Por outras palavras: O Estado não ganha nada em destruir os veículos. Mas é capaz de ganhar uns trocos a vender sucata velha e imprópria para circular nas estradas. E mais: ganha no imposto da gasolina, pois esses carros não são propriamente tecnologia de ponta quanto à economia de combustível. Mais uns impostositos de matrículas e de seguros, postos de inspecção (que vão chumbar esses carros, de certeza) e temos uma bela factura! Os donos, muito provavelmente, não poderão abater os veículos lá no regime de abate e desconto no IA, porque são proprietários desses veículos há pouco tempo. Digam lá se o Ministro das Finanças não é uma cabecinha pensadora, hã? Que se lixe a ética, viva o dinheiro!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Semi-novos.





Um semi-novo de 2001. Mmmm....


Para mim, os vendedores de automóveis usados são ainda piores do que os vendedores imobiliários. Enquanto que estes últimos são capazes de vender a mãe de 70 anos, os primeiros vendem a mãe e dizem que só tem 20 anos. Vale tudo, desde martelar os quilómetros, mudar os livros de revisões, negar uma garantia que é obrigatória por lei, esquecer-se de mencionar o pequeno pormenor que o carro já levou uma valente truncada, e coiso e tal. Mas o que me fascina é o termo semi-novo!
Não foi difícil apanhar uma relíquia como esta que apresento, publicada na AutoHoje de 18 de Janeiro, para fundamentar a sátira de hoje: os semi-novos. A definição de semi-novo é bivalente: o vendedor diz à vítima que é um carro novo com preço de usado, quando sabe muito bem que é um carro usado com preço de novo. É claro que esta subjectividade serve-os tão bem, pois soa tão bem dizer semi-novo. Mesmo quando o carro é de 2001, com 6 anos!
Porque é que este Citroën de 2001 é considerado semi-novo? Será que a Ordem dos Vendedores de Automóveis Usados (VAU) regula esses critérios? Penso que não porque, segundo os VAU, todos os carros usados "pertencem a uma senhora de idade que usava-o para ir à missa e para o bingo, estava sempre na garagem e andava pouco". Mesmo aquele Saxo Cup do canto com dupla abufadeira e dragão no capot!. Era uma velhinha com mais pressa, digo eu. Se todos os carros são usados por velhinhas, quais são os critérios? O Horóscopo do dia?
Bem, no ambiente imobiliáro, basta dar uma demão de tinta Robbialac às paredes de uma casa construída na altura do Salazar, para pode-se vendê-la no jornal como "remodelada!" ou "semi-nova!", o que eu acho hilariante. Como é nos carros? Será que o meu carro, com 45000km, 3 anos em cima, e com alguns arranhões devido a um leque diversificado de imbecis que não sabem segurar as portas enquanto entram nos carros nos parques de estacionamento, posso ir ali ao Elefante Azul dar-lhe uma lavadela, mais uma aspiração e já posso vendê-lo, com orgulho, como um "semi-novo"? Tenho de perguntar à Sagrada Ordem dos VAU!


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