O fim do Hummer: vai-te embora, que não deixas saudades!
Tenho estado com algum trabalho e não tenho acompanhado de perto as tristes novelas portuguesas. No entanto, e como estava claramente à espera, a malta está a perder mais tempo a falar sobre a decisão da UEFA sobre o FC Porto, do que a decisão da AdC sobre a cartelização de preços dos combustíveis!
Num país onde até se cobra bilhete para se assistir a um treino de futebol e até se esgota a lotação, só posso dizer que temos o que merecemos. "Ah e tal, é o petróleo e coiso" párem de ser assim tão tapados, que os espanhóis também compram petróleo no mesmo sítio, não mexem na carga fiscal do ISP e em 2007 o gasóleo aumentou 2,8% lá, enquanto que em Portugal aumentou 21,6%. Sabendo nós que em Portugal, a refinação de combustíveis é um monopólio, acho que realmente não há nada para concluir, nós somos todos umas bestas pagantes que daqui a pouco vão estar a ver 3 jogos de futebol por dia com cervejas e tremoços ao lado, para esqueçer a ladroagem.
Mas aproveito para um off-topic e registar a notícia da GM, que irá fechar a produção do Hummer. Realmente, alguém iluminado naquela corja de ricaços terá usado o neurónio bom e terá percebido que já não faz falta um carro com motor de 6.0 litros com 325 cavalos, que gasta uma média de 15 milhas por galão (ou aproximadamente 16 litros / 100 km) e que pesa perto de 3 toneladas, no contexto de crise petrolífera actual! Já agora, durante a pesquisa destes valores, fiquei a saber que nos EUA os "carros" com mais de 2.6 toneladas de peso têm direito a... benefícios no IRS! Um político esperto podia usar o mesmo estratagema em Portugal: fazia com que 5% dos gastos anuais em bilhetes para ver futebol tinham direito a reembolso no IRS, e o bacano ficava em São Bento até o Scolari cortar o bigode.
Pois a GM, a empresa que desenhou e produziu o mais promissor carro elétrico dos últimos tempos, o GM EV1, e que assustada pelo tremendo sucesso e baixo custo que este carro oferecia aos seus utentes, não descansou enquanto não recuperou e destruiu todos os seus exemplares para que não restasse memória de tal carro demoníaco, apressou-se a substituír essa memória "má" com a compra e comercialização dos obscenos Hummer, no mesmo ano em que acabou com a frota dos EV-1!!
A parte engraçada é que, com a desactivação da Hummer e com a "forçada" aposta nos carros eléctricos, como o GM Volt, esses proxenetas da GM ainda vão virar-se para nós, com toda a mais pura hipocrisia, referir que "vão apostar em carros mais amigos do ambiente, pois querem salvar o planeta" e baboseiras semelhantes. Claro que querem, assim como deliberadamente congelaram a investigação em carros eléctricos durante 10 anos, mataram um carro inovador porque estava a incomodar os colegas do lobby petrolífero, e também deliberadamente lançaram uma campanha de "macho que é macho anda de Hummer" para instigar todos os americanos com muito dinheiro e ar entre as orelhas a comprar esas bestas execráveis de mais de 3 toneladas, para se sentirem mais potentes sexualmente, e para poderem cagar mais de alto para os restantes condutores.
E como não me apetece andar com paninhos quentes, e já estou habituado aos comentários do "ah e tal, dor de cotovelo, também querias", ilustro a minha ideia precisa do típico comprador de SUVs com esta banda desenhada: não passam de pessoas que sofrem de problemas de afirmação pessoal, problemas de afirmação sexual ou problemas de altura! (ou mais conhecidos respectivamente por carneirinhos, frustrados e minorcas!)
Não sei se já repararam, mas do ponto de vista de um peão que atravessa uma passadeira, um SUV é uma verdadeira sentença de morte para o desgraçado que tiver o azar de levar com um, em vez de um carro normal. Ainda ninguém me conseguiu convencer qual é a utilidade desse tipo de carros a não ser para estimular egos e mostrar o desprezo que a pessoa condutora tem pelo ambiente e pelos restantes utentes das estradas. Mais uma triste cópia do que a América tem do pior.
Quando atravesso uma rua, tenho sempre de me colocar à coca com o palhaço distraído com o telefonema que não podia esperar, ou com a otária que fala para o lado todos os segundos que conduz. Agora com esta febre estúpida de SUVs, tenho de me acautelar duas vezes, senão ainda tenho o azar de levar com uma grelha de um Audi Q7 mesmo em cheio, e de ficar com os quatro anéis tatuados na testa, antes de cair no chão! EuroNCaps e estrelas de protecção de peões e coisa e tal, o português o que quer é que seja grande e vistoso, para o portuguesíssimo "inveja ao vizinho".
Pois bem, foram-se os Hummers e espero que o resto da SUValhada toda vá pelo mesmo caminho, que não faz falta nenhuma: já os carros elétricos, esses, fazem muita falta mesmo. Mas não vos aconselho a esperarem sentados por eles; por este andar, é mais rápido e mais esperto emigrarem para um país com uma consciência ecológica mais desenvolvida do que este país sedento de futebol, do que esperarem que eles sejam importados alegremente para Portugal.
































