O acidente da A1 (sim, mais um...)
Calma, que eu não morri, nem fui atacado por um gang de tunings; simplesmente tenho uma vida para além deste estaminé, e bem ocupada nestes últimos dias. E hoje, por causa de mais um compromisso, tive de dar um salto ao Porto. Mal sabia eu que iria ser mais matéria para este estaminé fedorento...
Ora bem, como eu não tenho acções da Brisa, lá fui eu de camioneta para o Porto (sabiam que as portagens Lisboa - Porto - Lisboa são mais caras que um bilhete de camioneta ida e volta?!); entretanto, na rádio falava-se de mais um acidente na A1, com um camião cisterna, para os lados de Aveiro. O que fazer? Desmarcar é impossível... o melhor é esperar que a Brisa não queira desafiar o seu próprio recorde de 14 horas a desobstruir a via. Fé nos bombeiros e siga para a terra das francesinhas.
Ao início, enquanto despachava um mail ou outro, notei que o condutor da camioneta divertia-se a pisar a faixa sonora periodicamente, num slalom suave, como quem trauteia pela enésima vez a musica da Mel C. Uma análise mais atenta ao fulaninho mostou a origem de tal serpenteamento:
Sim, o tipo tinha o dente azul coladinho na orelha como mandam as regras, mas que estava a abusar nas escritas, estava. Enquanto estava a ganhar coragem para chamar a atenção ao fulano, lá felizmente parou de escrever a coluna editorial para o "Pesados'R'Us". Já que a PT inventou um sistema de leitura sintetizada de SMS, já era altura de criarem um sistema de interpretação automática de mensagens para SMS. Mas, se for a ver, para quê? No outro dia, vi um tipo num Mercedes espampanante, a atender a chamada de tijolo na orelha; será que não sobrou mais dinheiro para comprar um kit mãos livres reles?
Bem, deixa para lá; chegando até Aveiro, lá me deparei com o "ground-zero" do acidente do camião cisterna. Imaginem alguém que tem de estar no Porto às 14h e que se depara com este espectáculo de carros parados em plena A1:
Que fazer? Sair da camioneta para desentorpecer as pernas. Os trolhas da carrinha do lado até se deram ao luxo de sentar no rail, a apreciar o show. Só faltava o piquenique à beira da estrada. Realmente, não havia muito para fazer, e toca a tagarelar com o condutor da camioneta. Depois de uma cavaqueira já amena, ele disse que o acidente deveu-se a um adormecimento ao volante, e ocorreu por volta das 6h15. Mostrou-me os novos cartões de registo de horas, do tamanho de cartões de crédito e que iam substituir os antigos dísticos; uma espécie de caixa-negra que precisa de ser descarregada de 28 em 28 dias. A parte engraçada é que disse-me que já há artimanhas para contornar esta medida de segurança que pretende evitar, entre outros, acidentes por adormecimento ao volante! Irónico, não é?
A fila lá avança, e como não podia deixar de ser, as televisões já lá estavam em força.
Ora aqui está o camião cisterna... vim a saber mais tarde que hoje houve 3(!) acidentes com camiões cisternas! Eh lá, que os tipos do SIS quase que pousavam o jornal na mesa e ainda tentavam fazer um ou outro telefonema para saber se é algum ataque terrorista... mas foi falso alarme, e felizmente isso não perturbou a lerpa marcada para a tarde.
Ah, e mais uma achega: das muitas histórias do condutor da camioneta, ele deixou escapar uma, muito sui-géneris: disse que, perto da Feira, esteve a olhar para o retrovisor; passados poucos segundos, passa-lhe um Ferrari nos seus 200 e tal à hora. Ao que parece, ele próprio apanhou um susto monumental, e sentiu a deslocação do ar com oscilações no volante. Ou seja, por pouco que não havia mais uma tragédia por causa de uma manifestação de complexo masculino desenfreado, e sem culpado à vista... e assim vão as histórias tenebrosas da A1.
Já agora, lanço um pedido: na 4ª feira tenho de voltar ao Porto, e não posso falhar o compromisso. Por favor, senhores condutores de cisternas, não se estampem na A1, por favor. Esperem até 5ª, OK? Ou usem uma nacional para isso, pode ser? Obrigado.








































