Dentro do automóvel, somos todos máquinas de sexo!
Ontem, cheguei a casa ao fim da tarde e fui ter com a minha mulher, onde iniciei a típica conversa que começa por "E que tal, como foi o teu dia?". Ela disse-me que tinha ido à biblioteca municipal, e que durante o caminho (que envolve um trajecto a pé), foi por algumas vezes presenteada com piropos pelos condutores, e que até houve um que encostou à berma, para que o seu piropo fosse mais directo e audível. Logicamente, não gostou nada de cada uma das propostas cobardes que lhe foram enviadas.
Pá, não está em causa os instintos intrínsecos no nosso cromossoma X, que tanto gostamos e que faz com que sejamos capazes de apreciar golos como o do Madjer, e que evitam que nós tenhamos de apanhar uma fila para ir mijar numca casa de banho pública. É natural que, sendo um povo latino (ou pelo menos, consta que é), os portugueses fiquem tão fascinados com um belo exemplar feminino a deambular no passeio, como ficam com uma sande de couratos regada com uma bejeca. Agora, porque é que os portugueses só ganham coragem para emitir tais propostas indecentes quando se encontram protejidos pela jaula em ferro e alumínio que são os nossos carros?
Mais, é chocante a falta de criatividade desses piropos... segundo a minha mulher, ontem a esmagadora maioria desses latinos de trazer por casa escolheram o número 1 das vendas, o "Olá jeitosa". O modus operandi é sempre o mesmo: aproximam-se da vítima, abrem o vidro e reduzem a velocidade. A mensagem é proferida, e o "predador" fica à espera que a "presa" fique impressionada com tamanha demostração de potência e vigor transmitida pela mensagem e pelo bólide que conduz. Em 100% dos casos, passados alguns segundos, o tipo vai-se embora sem sucesso.
Isso, meus amigos, é deveras fascinante! Se eu tiver uma vela acesa e meter lá o dedo, eu queimo-me. Acho que não vale a pena meter lá o dedo uma segunda vez, pois os resultados serão os mesmos: dor!! A isto chama-se o método científico:um determinado acontecimento repete-se sempre da mesma forma, se as condições ambientais forem sempre as mesmas.
Eu nunca vi uma mulher a sucumbir perante tal chamamento viril e sedutor de um trolha na obra, que mandou-lhe um "Oube lá, pareces um helicóptero: Gira e Boa!"... nunca vi uma mulher a correr atrás de um carro, a gritar: "Espera aí, convenveste-me, eu estou pronta, vamos embora para um motel!" depois do predador ter mandado a tal boca da jeitosa... serei eu, ou você, caro leitor, já viu? E, cara leitora, você já sentiu as suas feromonas a controlar o seu hipotálamo e a desejar um coito esporádico e selvagem, depois de ouvir um "papava-te toda" proferido de um camião de 18 rodas?! É o que me parecia.
Como tal, acho que é seguro dizer que tal método não resulta... mas é verdade que há muitos que insistem em que, qualquer dia, vai resultar! Tal como um boletim do Totoloto, qualquer dia sai a sorte grande, mesmo que a evidência empírica científica ainda não tenha descoberto um único caso positivo dentro das 23.245.735 esperiências realizadas. A isto chamo fraca cultura científica. E estupidez, também.
Faz-me lembrar os bons velhos tempos em que andava a tirar a carta, com um instrutor tarado-sexual. Sempre que eu via uma gaja boa no paseio, já pensava para mim mesmo: "prontos, prepara-te pois ele vai mandar-me praticar mais um estacionamento naquele sítio ao pé da gaja!".




























