Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



quarta-feira, 14 de março de 2007

Portugueses ao volante no Radiologia



A página do radio-logia.blogspot.com, com
destaque para este blogue de portugueses ao volante.


Acabaram-me de me dizer que há uns fulanos do IST, verdadeiros terroristas ao volante de seus nomes Amadeu Dias e José Rainho, que palram num programa chamado Radio-logia. No blog do Radio-logia podem encontrar um podcast, onde na sua emissão do dia 8 de Março, andaram a fazer uma rábula aqui ao meu espacinho.

Podem ir ao podcast deles e ouvir a emissão. São 57 minutos de conversas... ou o melhor é ouvir os 3 minutos que interessam aqui: Portugueses ao volante - Radiologia 2007-03-08.mp3.

A iniciativa destes jovens é engraçada, no entanto, acho que podiam fazer um pouco o trabalho de casa, pá. Não saber o nome deste blog e fazer uma reportagem disto, é a mesma coisa que o Cavaco ir à China e pedir para ver o Taj-Mahal... Já agora, queriam mesmo saber quem sou eu? :) Então, sou um português ao volante!

Felicidades para a iniciativa. Não se esqueçam de avisar o pessoal do grupo do Flickr do "Estaciono que nem um cepo"! Já agora, esse tal de Agostinho não quer ser entrevistado por mim?!

terça-feira, 13 de março de 2007

E viva a sucata e a corrupção.





Há duas características que são intrínsecas nos genes dos portugueses: a capacidade de perdigotar por completo um microfone de uma reportagem, e a capacidade de fazer corrupção em todo o tipo de negócios.

Quanto ao negócio da venda da sucata velha pelo Estado, lembram-se? Os resultados já saíram. No total, o Estado conseguiu arrecadar cerca de 144 mil euros, hã? Nada mal. É apenas o valor do Audi A8 topo de gama que o Santana Lopes quis comprar para impressionar as santanetes, à custa do orçamento da Câmara. Por outras palavras, se esse palhaço estivesse quieto, o Estado mandava estas viaturas para a sucata, e ficava tudo na mesma.

Bem, mas como estamos em Portugal, o Correio da Manhã denuncia que há sucateiros ilegais que compram veículos nestas hastas públicas. Agora, como as OPAs estão na moda, digamos que eles têm uma golden-share... como é que eu não estou surpreendido... A notícia é a seguinte:

Segundo o CM apurou, há em Portugal centenas de empresas de desmantelamento de automóveis não licenciadas, ou seja, que não cumprem os requisitos de infra-estrutura e equipamento impostos pela legislação comunitária. Algumas aproveitam as hastas públicas do Estado para adquirir veículos em fim de vida. A empresa Sucacentro é um exemplo. Não licenciada, já participou por várias vezes em leilões realizados pela DGP. No ano passado, a Sucacentro comprou três automóveis, em duas hastas públicas: um Toyota Hilux de 1988, um Citroën C15 de 1990 e uma Ford Transit de 1987. No leilão da passada sexta-feira, o CM sabe que responsáveis desta empresa também estiveram presentes.

Contactada pelo CM, a Valorcar confirmou que a Sucacentro é uma empresa ilegal, tendo já sido denunciada às entidades competentes. “Já denunciámos esta empresa à Inspecção-Geral do Ambiente e à Sepna, brigada da GNR responsável pelas questões do ambiente”, disse Ricardo Furtado, director-geral da Valorcar. “A Sucacentro foi autuada, mas continua no activo”, acrescentou Ricardo Furtado.

A Valorcar, licenciada desde 2004, gere o sistema de desmantelamento de carros velhos, sendo responsável pelo seu licenciamento. Neste momento há vinte empresas licenciadas e mais dez em fase final de aprovação. “O licenciamento é um processo demorado e que exige um grande investimento. Só em equipamento é necessário gastar cerca de 35 a 50 mil euros”, explicou Ricardo Furtado.

Questionado sobre a participação destas empresas em leilões de veículos do Estado, o responsável pela Valorcar foi claro. “Havendo o risco de sucateiros comprarem veículos em hastas públicas, a DGP deve desenvolver mecanismos para assegurar que estes carros não vão para abate ou, se forem, que o sejam em empresas licenciadas.”

Contactado pelo CM, o Ministério das Finanças, entidade que tutela a Direcção-Geral do Património, referiu que “não cabe à DGP aferir da idoneidade dos compradores que estão presentes nos leilões”. As Finanças aguardam que as entidades competentes (Inspecção-Geral do Ambiente) comuniquem as conclusões das investigações.


Ou seja, enquanto anda tudo mergulhado na burocracia enfadonha entre ministérios, há empresas que compram essa sucata em fim de vida por um valor bem inferior ao do desconto no IA de abate, obtendo o seu lucro no abate dessas mesmas viaturas... catita, hã? E não há denúncias e multas que as impeçam de voltar às hastas... é como os viciados no jogo a rondar os casinos.

Já agora, senhor Ministro das Finanças: já reparou que na sua lista de carros "clássicos", há muitos portugueses que nem chegaram a licitar? Como por exemplo, o raríssimo Opel Corsa de 1986, de 200 euros... das duas uma: ou os portugueses são uns broncos e não sabem apreciar automóveis clássicos, ou então o cinto já aperta tanto que já faz sangue...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Genitalia à mostra nas estradas: sim ou não?



Quem curva a 200 à hora em estradas com rails como os
nossos, é preciso mesmo tomates deste tamanho!


Esta notícia foi retirada do http://www.estranhomasverdade.com, e reza assim:

"As imitações de testículos de touro e outras decorações anatómicas explícitas em veículos serão proibidos nas estradas de Maryland."

Adoro leis americanas. Sabiam que no Maryland, é proibido ir com um leão ao cinema? Continuando...

«A medida será aprovada no seu conjunto, segunda-feira por Jr. de LeRoy E. Myers e pelo delegado, R-Washington, que diz que as crianças não devem ser expostas aos adereços plásticos gigantes que são usados nos engates de reboque dos veículos. A medida também proibe figuras de peitos humanos despidos, rabos ou genitais, com as ofensas puníveis por multas de até $500.»

A união americana das liberdades civis opõe-se à medida de Myers, «a legislação torna provavelmente ilegal ter uma etiqueta no seu carro ou transportar a Vénus de Milo de um museu da arte». Na última semana, a legislatura do Arizona rejeitou uma medida que proibisse as comuns palas nos veículos que ostentem termos racistas ou silhuetas de mulheres despidas.»

Só na América é que alguém se lembra de fabricar escrotos em plástico para pendurar na bola do reboque, e até consegue vender! Mas... como seria essa lei em Portugal?

Em primeiro lugar, isso proibiria essa verdadeira instituição que são os camionistas portugueses de tronco nú com calendários de gajas nuas. Sim, ainda podiam ter a matrícula a dizer "Zé Tó" no canto do vidro, mas tinham de tirar o pindericalho do retrovisor, com uma havaiana com luzes a piscar nas mamas. Isso era um verdadeiro rombo na cultura portuguesa, que é disseminada pelas auto-estradas europeias.

Em segundo lugar, todos nós sabemos que o carro é uma extensão à virilidade masculina (eu tenho uma teoria de que mais de 70% dos donos de jipes e de SUVs não tem mais de 1,60m... para quando um desses estudos da treta americanos para terminar o Telejornal?). Estar a proibir qualquer tipo de conotação sexual aos veículos que conduzimos é claramente uma medida anti-latina. Vá lá que não ameaça essa outra grande instituição que são os autocolantes da Penélope, mas ameaça e de que maneira os autocolantes dos dois coelhinhos, um ex-libris dos portugueses aos volantes que estão sempre a postos para socorrer as automobilistas com pneus furados.

Mais uma vez, acho que esta lei americana não vingaria em Portugal,. mesmo que ainda não tenhamos a mania de meter escrotos pendurados nos carros. Agora, eu cá sei de uns carritos portugueses que ficam parados com um pénis cónico na grelha... e que fodem mesmo alguns portugueses ao volante! Como diria o Octávio, vocês sabem bem do que estou a falar...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Ajude o Estado, compre sucata velha!



"Senhoras e senhores, tenho aqui um clássico...
er... carro qualquer, em estado medíocre. A
base de licitação é 1 euro. Quem dá mais?"


Pois é, hoje serão vendidos cerca de 131 veículos da Direcção Geral do Património, na sua Hasta Pública nº 1 de 2007. Aqui fica a lista, onde se pode ver que 90 deles foram classificados em mau estado. A maioria dos carros estão a preço de saldo, porque... bem... estão em mau estado. Podem ver vocês mesmos algumas imagens e comentários sobre alguns dos carros que algumas pessoas foram visitar.

Onde anda o Ministro do Ambiente? Já agora, alguém sabe se temos algum Ministro do Ambiemte? É que não sei o nome dele, nem nunca aparece na televisão... se calhar, ele devia ter alguma coisa a dizer, isto se o Sócrates não lhe meteu uma rolha na boca.

Segundo o Diário Digital, o ACP já contestou a venda de automóveis velhos do Governo, e defende o abate dos veículos e acusa o Governo de mau exemplo. Como se entende perfeitamente.

"Ao todo vão ser vendidos 131 veículos, dos quais 90 classificados em mau estado pela Direcção-Geral do Património, a maioria devido à sua idade, superior a 15 anos. «O governo incentiva os cidadãos a abater os automóveis, por questões que se prendem com a segurança e a poluição rodoviária. Mas, quando se trata do seu próprio envelhecido parque automóvel, o Estado coloca-o no mercado», refere a direcção do ACP, em comunicado hoje divulgado.

"O Ministério das Finanças, contactado pela agência Lusa, argumenta que os veículos colocados em praça com maior antiguidade são veículos que «quase já se podem considerar como clássicos e que despertam muito interesse dos coleccionadores»".

O Ministro Teixeira dos Santos, grande connoisseur de automóveis clássicos, sabe do que fala. E os ministros percebem muito de carros e da realidade portuguesa, senão não andavam na A1 a mais de 200km/h sem serem multados. Ele fala de clássicos como por exemplo um Ford Fiesta de 1991 por 250 euros(2), uma Toyota Hiace de 1992 (62), as Renault Traffic e Master (36 ao 41), ou os bem clássicos Fiat Uno e Puntos ou Opel Corsa, que há à paletes na lista, todos em mau estado. Ou seja, clássicos à portuguesa, que qualquer um gostaria de ter na garagem.

"Segundo a mesma fonte, só vão ser vendidos os veículos cujo estado de conservação ainda permite a sua circulação."

Ao que parece, há lá um Toyota que não tem motor. Mas isso é um detalhe minúsculo. Avante.

«Os veículos cujo estado de conservação já não permite recuperação são considerados veículos em fim de vida e o seu destino obedece à legislação ambiental em vigor. Assim aconteceu em Julho de 2006 com o desmantelamento qualificado de 165 veículos», adianta o Ministério.

Ok, já percebi: no fundo, já sabem que a maioria dos carros nem se mexe, e o que eles querem é vender os carros para peças. Resta saber qual é o sucateiro que paga mais de 600,00 € por uma Bedford KBD 46 de 1983, em estado medíocre, só para peças...

O ACP defende que o anúncio de venda de veículos do Estado demonstra que «as regras são só para os outros cumprirem e em nada contribui para a modernização do parque automóvel português».
O Ministério das Finanças lembra que a Direcção-Geral do Património está isenta do pagamento do Imposto Automóvel (IA) e não pode usufruir do regime de incentivo fiscal à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida, que reveste a forma de dedução do IA aquando da aquisição de um automóvel ligeiro novo.


Por outras palavras: O Estado não ganha nada em destruir os veículos. Mas é capaz de ganhar uns trocos a vender sucata velha e imprópria para circular nas estradas. E mais: ganha no imposto da gasolina, pois esses carros não são propriamente tecnologia de ponta quanto à economia de combustível. Mais uns impostositos de matrículas e de seguros, postos de inspecção (que vão chumbar esses carros, de certeza) e temos uma bela factura! Os donos, muito provavelmente, não poderão abater os veículos lá no regime de abate e desconto no IA, porque são proprietários desses veículos há pouco tempo. Digam lá se o Ministro das Finanças não é uma cabecinha pensadora, hã? Que se lixe a ética, viva o dinheiro!

Matrículas de cores diferentes para agressores sexuais. E em Portugal?



Na www.urban-neon-car-lights.com
pode-se comprar luzes de neón para
decorar as matrículas. Americanices...


Esta lei é uma proposta do estado de Ohio, nos EUA. Podem ler aqui a notícia original. Ou seja, os violadores vão passar a ter matrículas verdes (verde-ranho-elétrico, entenda-se).

«Os delinquentes de cariz sexual do estado norte-americano de Ohio podem passar a ser obrigados a usar matrículas nos carros de cor verde. Os promotores da iniciativa são um republicano e um democrata que pretendem que os violadores sejam facilmente identificados a partir dos veículos, como já acontece aos condenados por conduzirem sob efeito de álcool ou noutros estados.»

Bem, o que se pode esperar de um estado onde é proibido por lei embebedar um peixe? Mas não estou minimamente interessado em discutir americanices, ou em perceber a mentalidade dos americanos; a pergunta desta posta é: como seria esta medida em Portugal?

Em primeiro lugar, se a DGV decidisse atribuir matrículas verdes-ranho aos delinquentes sexuais, o Sporting iria imediatamente protestar à Liga de Clubes, e pedir uma indemnização de 6 pontos. Por tabela, o azul e o vermelho ficariam imediatamente excluidos. O amarelo podia ser uma boa hipótese, mas implicaria que todos os imigrantes franceses que voltam às aldeias no Verão podiam ser mortos à sacholada por um levantamento popular.

Cor-de-rosa? O Benfica iria logo protestar outra vez, pois é a côr (pfffff...) do equipamento alternativo. Mais, iria convocar uma assembleia geral com os seus 6 milhões de associados, para atacar a medida e defender a teoria de conspiração. Ao mesmo tempo, aproveita para reclamar 6 pontos de indemnização e para vender mais alguns kits de sócio. Além disso, essa côr é excelente para identificar o carro do José Castelo Branco, que ao que parece, gosta muito de andar de marcha atrás e de enterrar o pára-choques traseiro nos carros estacionados.

Resta-nos prái o laranja... De imediato, iríamos ter uma conferência de imprensa do Marques Mendes às 20h, a dizer que o Ministro da Saúde está por detrás desta medida, e que os portugueses não podem apertar mais o cinto, que o Ministro da Economia devia demitir-se, etc. Não, não queremos isso, pois pode provocar um congresso extraordinário do PSD, e muitas famílias portuguesas não podem depois ver os Morangos com Açúcar ou a floribella, devido aos directos.

Roxo? há um grande problema: é uma cor impossível de definir. Eu tenho a teoria que os homens vêem tudo em EGA a 16 cores, enquanto que as mulheres conseguem ver SVGA, ou seja, 16 milhões de cores. Entre o vermelho e o roxo, eu só vejo vermelho, rosa e roxo. As mulheres, essas, vêem púrpura, fúcsia, grenáte, lilás, escarlate, marrom, violeta, encarnado, e sei mais lá o quê. Como há mulheres na BT, isso é claramente um grande revés à iniciativa.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Deixem o Mantorras guiar, pá!



«Mim num saber, mim só
carregar nos pedal e
virar roda para vir
chutar bolas, shinhô.»


Há muitas pessoas que acham que este país passava bem melhor sem futebol. No entanto, só por causa de notícias como esta que aparecem de vez em quando, eu acho que a I Divisão devia ter 40 equipas! De preferência, com nomes exóticos como o do Juninho Pernambucano, e inteligência abaixo da média, para que a Elsa Raposo não se sentir sozinha neste país.

Segundo o MaisFutebol, «o futebolista angolano do Benfica, Mantorras, passou a manhã de hoje no Tribunal do Seixal por ter sido apanhado a conduzir com uma carta angolana, inválida em Portugal, falhando por isso o treino da manhã dos "encarnados".
De acordo com o site Maisfutebol, o avançado angolano foi mandado parar quando se dirigia para o Centro de Estágio do Benfica, no Seixal, tendo na sua posse um documento angolano que foi suficiente para conduzir em Portugal, mas que já não é.
O avançado angolano saiu do tribunal por volta das 13:00 acompanhado pelo responsável jurídico do Benfica, Andrade e Sousa, e terá de se apresentar no próximo dia 16 de Março para ser novamente ouvido.
»

Segundo o Destak, o «documento de Mantorras serve para que os angolanos que venham cá temporariamente, por exemplo em férias, possam conduzir». Obviamente, não serve para quem já está há porradas de anos em Portugal, como o Mantorras. «Para poder conduzir em Portugal, Mantorras devia ter trocado a carta submetendo-se a um exame teórico e prático, sem a necessidade de frequentar aulas.»

Pergunta: Se o Mantorras é burro por natureza para saber disso, mas ganha 50 vezes mais do que o português médio, porque é que ele não contrata alguém para pensar por ele? Eu não me importo nada de ser contratado por ele, metendo moedinhas nos parquímetros ou preenchendo o formulário de satisfação da creche por ele! Agora percebo porque os jogadores não pagam impostos; preencher um Modelo 3 do IRS, para eles, seria como programar em Assembler!

Mas o mais divertido está para vir! Lembram-se do coitadinho do Luisão que foi apanhado a conduzir alcoolizado?. Foi condenado a prestar serviço cívico, na altura. (alguém já o viu a recolher lixo ou a dar bolinhos a idosos?) Mas as mentes iluminadas da DGV, sobre a hipótese de o Mantorras fazer trabalho comunitário, esclarecem com a seguinte tirada fantástica (ver Destak de 6 de Março de 2007): «Na teoria, sim, mas como o caso foi muito badalado, não sei se há margem para isso.».

Em resumo: o Luisão meteu-se nos copos, mas mete tanto medo (até aos pobres presos) que ninguém tinha coragem de o meter na choça; portanto, meteram-no a lamber envelopes numa repartição durante 40 horas, até que todos se esquecessem do assunto. Agora o Mantorras, pá, temos pena, porque a comunicação social já publicou Kg suficientes de papel sobre o caso. E como a segurança social é soberana, o Mantorras vai para a cadeia.

Sugestão ao Sport Lisboa e Benfica: quando contratarem jogadores novos e fizerem exames médicos, passem pela DGV. Acho que seria uma boa idéia.

Acabou o IA - Imposto Aberrante, viva o ISV - Imposto da Sucata Velha!!!



Importados em 2ª mão... mais tuga que isto, não há!


Este país é um autêntico paraíso para os poluidores. Alguém já multou um suinicultor por causa do rio Lis? Mmm não me pareceu. Pois a partir de Julho, o aborto do Imposto Automóvel (IA), também conhecido por Imposto Aberrante (provavelmente, o único imposto sobre imposto do mundo e arredores), vai dar origem a outro aborto, o Imposto Sobre Veículos (ISV), que eu quero baptizá-lo de Imposto da Sucata Velha!, e que vai revolucionar o mercado de poluentes de Portugal.

Uma das grandes aberrações do novo ISV é continuar a incentivar a importação de carros importados em 2ª mão, ou seja, a sucata velha que os outros países não querem. Segundo o presidente da ANECRA, Ferreira Nunes, "está provado que 75% dos carros importados [em 2ª mão, do estrangeiro para Portugal] têm mais de 10 anos". E mais: essas sucatas com mais de 10 anos continuarão a beneficiar de 80%, repito, 80% de desconto no ISV. Catita, hã?

Em resumo, o ISV está tão preocupadinho com o ambiente, coitadinho, como eu estou preocupado com a côr das cuecas de fio dental que o José Castelo Branco usa nas festas! O ISV penaliza mais um automóvel novo e barato com catalisador e motores eficientes e económicos, ou seja, o automóvel que o português compra para poder trabalhar, enquanto não taxa uma sucata velha construída no tempo da TV a preto e branco, que o outro português normalmente compra para se pavonear.

Ah pois é! Neste país de exibicionistas, um Mercedes com 30 anos a cair de podre e a emitir fumo como uma barraquinha de castanhas quentes, como o aborto que fotografei acima, continua a dar mais status ao dono do que se comprasse um Fiat Punto novinho, bem mais económico e amigo do ambiente. E o ISV até dá uma forcinha.

Mas esperem aí: o que aconteceria se eu quisesse importar uma sucata como à da fotografia? De certeza que um imposto tão verde como o ISV dava-me logo umas chicotadas valentes, logo depois de ligar essa máquina e sair do escape um fumo semelhante a carvão em pó... mas não! Segundo o AutoHoje, "No caso dos imporetados, o Governo permite que o CO2 seja calculado com base no modelo actual da gama equivalente da mesma marca, já que as medições de CO2 nos centros de importação não são conclusivas quanto ao valor real de CO2 de cada viatura".

Ou seja, o Governo não quer considerar a poluição real que este carro com 30 anos faz; prefere considerar a poluição do seu modelo equivalente hoje, ou seja, um Mercedes novo muito mais evoluído e que deve poluir dez vezes menos. Epá, há coisas fantásticas, não há? E viva o novo ISV, o Imposto da Sucata Velha!!!

sexta-feira, 2 de março de 2007

E o carro mais castigado de sempre é...



Um Honda Civic CRX versão spider.
Versão "Spider" porque...


...não vos faz lembrar uma aranha?

O Civic é uma marca histórica para a Honda, que não pára de fazer motores, motos e carros fenomenais. Foi com o Civic que a Honda singrou nos mercados americano e europeu, rompendo com a má reputação dos carros japoneses na altura, ao lado do Corolla da Toyota. Das inúmeras versões que o Civic teve, este Honda Civic CRX de 2ª geração é dos mais carismáticos, tendo vindo para o mercado português lá pelo início da década de 90, quanto estava a dar os meus primeiros passos na puberdade.

Eu já tive a felicidade de ver, ao vivo, um Honda S800, que pertence a um coleccionador na Póvoa do Varzim, e que me arranjou um Ford modelo A de 1928 para o meu casamento. Esse Honda tinha um motor de 791cc que debitava 70cv. O motor faz 8000rpm sem problemas, e já ouvi casos em que chegava às 11.000rpm sem danificar o motor. O carro é lindo, e um marco de como a Honda é diferente dos restantes construtores automóveis.

O Honda Civic CRX é lindo qb, e dava 15 a 0 em design a todos os construtores japoneses da altura. O seu motor B16A, na sua versão de 1.6VT de 157 cavalos, foi o segundo carro da Honda a recever o sistema VTEC, o que por sis só diz muito do carisma deste carro.

Agora, porque raio um carro fantástico e histórico como é o Honda Civic CRX tem de se arrastar hoje nas estradas portuguesas com alterações aberrantes e de péssimo gosto? Senti uma grande dor ao ver mais um exemplar (vá lá, não tinha um Aileron Matias versão estendal de roupa) com um conjunto de faróis que faz lembrar uma aranha. É impossível, nos dias de hoje, admirar um CRX na sua beleza inicial; todos eles são vítimas de designers-de-trazer-por-casa.

É como se os Jerónimos estivessem cobertos de grafittis -- não dá para melhorar o original. Muito menos com faróis lampeiros a 6,99 euros na Norauto. Este Honda merece melhor. Como tal, fica aqui a minha homenagem aos raríssimos exemplares de Honda Civic CRX 2ª geração ainda em stock, e aos seus donos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

O aileron Matias e o português ao volante.

Cuidado: Este post contém imagens consideradas chocantes! Continue por sua conta e risco. Depois não diga que o avisei. Especialmente aos amantes de Ferraris.



Um Kia Shuma azul metalizado com um aileron branco. Se ficou sem palavras...


...veja agora um Ferrari 348 com um Aileron Matias!!


A capacidade de desenrascanço, mundialmente reconhecida no povo português, só é rivalizada pela capacidade de "xuninguificar" praticamente tudo com gostos... er... dúbios, desde muros de vivendas com leõezinhos e duendes, passando pelas fabulosas marquises, e acabando nas casotas personalizadas do cão.

No mundo automóvel, nenhuma marca está a salvo da violência que os portugueses aplicam nos seus carros. Quando refiro a todas, digo mesmo TODAS, desde um Kia até o Ferrari. A culpa é dessa verdadeira instituição automobilística intitulada "Aileron Matias" (o tal que corta o vento às fatias), um objecto que tem mais utilidade a assinalar os azeiteiros ao volante do que propriamente a criar força descendente na traseira do carro, para melhorar a aderência.

A KIA sempre teve má fama com os seus carros (por exemplo, o KIA Pride foi uma aberração sobre rodas), mas já estão a mudar a imagem. Na semana passada experimentei um Kia Cee'd, e fiquei surpreendido pela positiva, a KIA está no bom caminho. Agora, desculpem-me mas até o Clube Recreativo da Bisca de 9 de São Jorge da Murrunhanha tem mais conotação desportiva do que um KIA Shuma! Como tal, porque o artista dono desse carro azul lhe colocou um aileron branco, é realmente um mistério. Será que o stock de ailerons azuis esgotaram? Haverá mais KIA Shuma de ailerons azuis por aí? Ou vêem todos em branco e uma latinha de tinta a dizer: "Faça você mesmo!"? Será que o moço quer começar uma moda de xuning multicôr? Mas... porquê num KIA?!

Mas pior, pior mesmo foi o pobre Ferrari que vi em cima, que me fulminou o coração e embebeu-me em lágrimas enquanto obliterava a fotografia. Este infeliz exemplar é mais uma vítima da importação em 2ª mão desenfreada feita por tugas com sede em exibir-se aos outros. Como se pode ver, o português em questão tem gostos estéticos tão refinados, que ele próprio se acha mais evoluído do que o próprio Pininfarina, um dos melhores designers do mundo, e inseriu um Aileron Matias num carro perfeito, enquanto dizia "Assim sim, agora está lindooo!", tornando-o... parecido com um KIA.

Devo avisar, caro leitor, que não tive coragem de bisbilhotar o interior da máquina. Se encontrasse um pirilampo no tablier, provavelmente teria uma ataque cardíaco aos 30 anos. E todos nós sabemos como é difícil, hoje em Portugal, encontrar um serviço de urgência que não esteja programado para fechar dentro de umas semanas...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Epá, já vi de tudo! Algemas?!



Já é mau suficiente estacionar no lugar dos deficientes sem comprovativo...


...agora com algemas no retrovisor? Será um fugitivo de um hospital psiquiátrico?


Sempre que vou a este centro comercial e quero ver as maiores aberrações ao nível de tuguice ao volante, não tenho que ir muito longe: todas elas estacionam no lugar dos deficientes, para ser mais fácil exibirem as suas anormalidades. A propósito, será que o xuning já é considerada uma perturbação ou desordem psicossomática grave, passível de ser considerada invalidez mental, que permite aos seus praticantes estacionar nestes lugares?

Este fulano, no entanto, intrigou-me muito: em vez do terço, enfeitou o retrovisor com uma metade de algemas! Ora, partindo do princípio que o dono do carro (sem o respectivo dístico de deficiente) decidiu estacionar mesmo em frente ao acesso ao centro, ou seja, no local de passagem de toda a gente, é porque estava sedento de mostrar o seu ornamento peculiar. E, como qualquer artista, deixa que qualquer um pondere o significado da sua obra de arte. Eu tenho três teorias, o leitor terá mais alguma?

1) O tipo fugiu da prisão, serrou as algemas, roubou este carro e foi ao centro comercial roubar roupa nova para passar despercebido. Deixou as algemas penduradas para saber qual é o carro que roubou, e levou as outras algemas para atrofiar os detectores daquelas coisas presas à roupa. Ou seja, é um furagido perigoso, e eu devia ter alertado as autoridades.

2) O tipo é um pervertido sexual, e as algemas são mais um utensílio sexual do que propriamente um ornamento. Provavelmente, foi comprar vaselina ou um cuecão de couro. Podia ter espreitado para o banco de trás... e ainda hoje acho que fiz muito bem em não querer espreitar o banco de trás. Acho melhor não continuar por aqui, havia muito a dizer sobre a manete de mudanças.

3) O tipo é, efectivamente, um polícia. Tem uma fotografia do Chuck Norris em cima do porta luvas, e um bastão ao pé do assento. O porta-luvas tem um "taser" e um bloco de multas. Há um radar artesanal debaixo do capot, e um alcoolímetro na bagageira. O estacionamento era só para ver se alguém cumpre o dever cívico de o denunciar, senão, essas mesmas pessoas estão em transgressão.

Os pirilampos mágicos



Um já é aberrante, dois começam a provocar vómitos, agora
três? Deviam multar o dono deste carro por poluição visual!


É impressionante a diversidade de tralha que se pode encontrar colada num tablier de um carro. É raro o retrovisor do típico tuga que não é adornado pelo terço de Fátima ou o sempre popular CD pendurado; já o topo do guarda luvas contém as fotografias de passe (já quase sem cores) da árvore geneológica da família, desde a proclamação da República em 1910. Uma figura de Fátima colada entre as bocas da ventilação também é sempre útil contra as ultrapassagens mal feitas.

É possível adivinhar qual é a origem do imigrante, com uma eficácia de 90%, só pelos adornos do cockpit! Os imigrantes franceses, sempre de carro francês, costumam coleccionar os selos de imposto de circulação francês, e podemos vê-los os selos de todos os anos, alinhadinhos no vidro da frente. Já o imigrante suíço, com um carro bem xuning, tem o tradicional cachecol do Benfica ou de Portugal na chapeleira, enquanto o Emanuel berra pelas 8 colunas de 1000 watts do bólide.
Já o carro do português é mais difícil, mas uma coisa é certa: se tem pirilampos, é nosso!

O pirilampo mágico é, provavelmente, o objecto mais inútil à face da terra, depois do cotonete (basta deixar crescer a unhaca do mindinho e já está, para quê complicar?). O bicho só serve para dar a ilusão ao tuga de que comprou realmente algo, quando de facto só está a doar dinheiro para uma causa social. Ou seja, já é bastante estúpido o tipo não jogar no Euromilhões (onde não só ajuda várias causas como até pode sair-lhe a sorte grande), como ainda complementa o atestado de estupidez ao tentar dar uso a uma coisa inútil!! Já os vi a adornar computadores, caixas registadoras ou vitrines, num claro aviso da falta de gosto de decoração dos seus donos.

Agora, encontrei este... er... português com 3 pirilampos na suca consola! Três! Será que ele vai continuar a colecção pelo tablier fora? Será que o tipo procura no eBay os pirilampos de anos anteriores? Será que o dono já os colocou anteriormente no volante? Será que as fitas dos bonecos nunca atrapalharam a chaufagem? E porque não uns mini-cintos de segurança para os pirilampos? Eu quero entrevistar o dono deste carro.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Atravessar uma passadeira: suicídio ou vontade de morrer?



Portuguese Pawns Chainsaw Massacre - the roadsign!


Qualquer dia, quando se fizer um seguro de vida, além das perguntas "Fuma quantos maços de tabaco por dia?", "Costuma fazer paraquedismo com paraquedas 'made in China'?" ou "Você é do Bloco de Esquerda e vive na Madeira?", haverá outra pergunta no formulário, tipo "Quantas vezes atravessa uma passadeira portuguesa por semana?" para calcular o prémio. É que se parece cada vez mais com um desporto radical, do que uma necessidade.

No entanto, os peões deviam emancipar-se nas passadeiras! O reles peão, frágil e vulnerável possui, pasme-se, prioridade nas passadeiras perante os possantes e agressivos condutores! Eu, sempre que atravesso uma passadeira e alguém não pára, costumo aplaudir a ousadia e agradeço a violação do meu espaço com um "Obrigado" bem sonoro (já expliquei aqui anteriormente porque prefiro agradecer do que insultar tais bestas ao volante). Sugiro que faça o mesmo.

É claro que há honrosas excepções, nomeadamente com belos exemplares do sexo feminino com micro-saias vestidas, que não só atravessam sem problemas qualquer passadeira do feudo, como até podem aumentar o seu ego com alguns piropos (a propósito de piropos, nunca vi uma rapariga a correr atrás de um condutor que mandou um piropo, completamente apaixonada por tal mensagem romântica. Se a taxa de sucesso é 0%, porque é que ainda há tipos que ainda se dão ao trabalho?!). Mas, como eu sou homem, acho que a única solução por vezes, é andar com uma folha A3 a dizer: "Páras ou levas com pontapé na porta!".

A figura de hoje é de um sinal de trânsito para os lados da Amora, o qual tive o privilégio de fotografar e partilhar com todos os leitores deste blogue. É, sem dúvida nenhuma, o meu sinal favorito. Gostaria de conhecer o tipo que meteu tal autocolante lá. E, já agora, será que há moto-serras em 2ª mão no Ocasião? Pelo menos, satisfazia um dos meus três objectivos na vida: plantar uma árvore, fazer um filho e aparecer na capa do 24 Horas.

Ah, e o que dizer das velhinhas na passadeira?

Portugueses ao volante @ JornalismoPortoRadio.




A página do JornalismoRadioPorto dedicada a este estaminé.

A malta do JornalismoRadioPorto acabam de publicar hoje uma rábula e uma entrevista em MP3 sobre este estaminé, na sua rubrica Posta@Posta. A entrevista pode ser ouvida na página do Posta@Posta dos Portugueses ao volante, ou em no meu podcast (posta@posta - portugueses ao volante.mp3). Catita, hã? No final há uma revelação recôndita que deixei escapar (aliás, era uma pergunta que eu já estava à espera...). E, como estamos em época de Óscares, gostaria de dedicar esta entrevista ao pai do meu amigo, o tal do 128 religioso.

Passem por lá e dêem uma vista na página, que aquilo parece um viveiro de malta porreira. Se há 5 anos atrás, o blog servia para postas do tipo "hoje acordei, lavei os dentes e fui para a escola", nos dias hoje já há muita blogue que, sim senhora, upa upa.

Pena é a falta de RSS na página do JPR, mas acredito que estejam a trabalhar nisso. Força, rapazes :)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

É meu! Não, é só meu! É meu, eu vi-o primeiro!



Bem, se o dono deste carro foi foder um sapo, não sei. Só sei que, a partir de agora
tem de ter cuidado, pois só tem 33% de hipótedes de foder a mãe certa!


Pois é, este país é a terra das aberrações! Tente estacionar o seu carro em 2ª fila, que imediatamente verá a PSP a surgir pela esquina a toda a velocidade, a Polícia Municipal a assapar pela rua fora, e um EMEL a sair do esgoto e a rastejar até ao carro. Tudo para ver quem é o primeiro a multá-lo! Costuma-se dizer que a concorrência melhora a qualidade do produto; agora com a EMEL a ter competências para multar carros mal estacionados, em 2ª fila ou em cima de passeios, o cliente vai ser melhor servido! Quem sabe, com bloqueadores verdes e com um daqueles pinheirinhos para pendurar no retrovisor...

Eu até acho bem que multem todo o tipo de condutor que vive para estorvar o trânsito, mas é um pouco abusivo haver 3 entidades(!) competentes para o efeito, que raio! Há anos atrás, estacionei o meu carro no Bom Sucesso, no Porto, e vieram logo dois arrumadores (perdão, técnicos de parqueamento automóvel) atrás da tal moedinha. Enquanto os técnicos enveredam por um diálogo tipo "É meu, vi-o primeiro", "Não, é meu! Tu fazes aquela zona!", ainda vem um 3º técnico(!) meter-se ao barulho! Vou-me embora e não dei moeda a ninguém! (aliás, nunca dou) Mas este momento merecia constar no Youtube.

Será que podemos assistir a algo semelhante nos carros mal-estacionados por Lisboa fora? Tipo um sapo, um tipo fardado e de bigode, e outro bófia de barriguinha, aos empurrões e a puxar os cabelos uns dos outros, enquanto que o tipo entra no carro, encolhe os ombros e vai à sua vidinha?!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Engenheiros da condução



- "Menina, mande vir a sua irmã amanhã, assim ficam todas com carta, OK?"
- "Obrigada, Engenheiro."


Eu sou licenciado na FEUP, e foram 5 anos duros mas fantásticos que me dão hoje o título de Engenheiro. No entanto, nunca o uso nem quero que o usem, pois já tenho 5 nomes no meu BI, não preciso de um 6º. Mas é curioso, em Portugal não faltam os "Senhores Engenheiros Paços de Ferreira", mas na Inglaterra nunca ouvi alguém chamar pelo "Mister Engineering Smith".

Pois em Portugal, aqueles tipos que nos avaliam na derradeira prova de condução, para podermos ter a carta, precisam de ser tratados por Engenheiros como a Elsa Raposo precisa de gajos ricos. Já estive a procurar na FEUP a ver se via um novo curso de "Engenharia da Condução", mas não encontrei nada. Para dizer a verdade, para quê um curso? Eu tirei a carta em menos de 4 meses! E o tipo fica sentado todo o dia a mandar virar à esquerda, a estacionar, a inverter a marcha e a pedir subornos no final... para isso, nem é preciso a 4ª classe!

Antes do meu exame, aconselharam-me a chamá-lo de Engenheiro, senão... Calhou-me um velhote carrancudo, cujas fantásticas frases de quebrar gelo foram "Como se chama?" e "Quantas horas de condução tem?", e lá tinha de responder: "30 horas, Engenheiro", ao qual ele respondia com um automático "Ah, muito bem." E realmente, o tipo tinha uma cara tão ameaçadora, que se lhe perguntasse qual o nome dele, acho que chumbava logo ali sem ligar o motor. Vá lá, no final não me tentou subornar, também não tinha muita sorte: não tinha dinheiro, e se tal assunto viesse à baila, tinha logo um punho fechado pronto, com as letrinhas "Engenheiro" marcadas em cada dedo.

Se o tipo fez um curso de Engenharia, porque não se meteu numa de Civil ou de Electrotecnia, que dá mais dinheiro? "Ah, vou ser Engenheiro de Condução, este é o meu futuro! Passeia-se, conhece-se pessoas, bem melhor que ficar num gabinete!". Dassse...

Se houvesse um curso de Engenharia da Condução, como seria o dia-a-dia desses estudantes?
"- Eh pá, vou chumbar em Técnicas de Inversão de Marcha II! Não estudei o suficiente".
"- Boa! Tive um 17 no trabalho de grupo, "As cores dos sinais e o daltonismo!"
"- Ontem na aula prática, consegui acabar o exercício 14 do livro, Finalmente, consegui estacionar em espinha!"
"- Epá, o exame era fodido! O que escreveste na pergunta 2a, «Enumere 3 espécias de dispositivos de iluminação incandescente obrigatórias num veículo de circulação automotora»? É que não percebi mada!" "-Era para dizeres 3 tipos de luzes, pá" "- Ena, não percebi isso... vou chumbar!"
"- Tens as fotocópias da aula de "Psicologia de Suborno", «como extorquir dinheiro às velhotas»? "

Pergunta "teaser" do dia: se chamasse Arquitecto ao examinador, como seria o "core dump" dele?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Mono? Pode seguir. Estéreo? Multa!



Iuhuuu, DGVzinha, posso conduzir assim? Posso?


A DGV soma e segue para o título de "Direcção mais Imbecil de Portugal". Eu já tinha ouvido qualquer coisa do género, mas hoje encontrei a prova: uma posta da própria DGV sobre telemóveis dotados de dois auriculares, que possui o seguinte texto hilariante:

Nos termos do art. 84º – Proibição de utilização de certos aparelhos – do Código da Estrada, é proibida a utilização de auscultadores sonoros e aparelhos radiotelefónicos, salvo se forem dotados de um auricular ou de microfone com sistema de alta voz, cuja utilização não implique manuseamento continuado. Deste modo, a utilização de telemóveis dotados de dois auriculares é
proibida, mesmo no caso de o condutor utilizar apenas um
.


Pois eu tenho um telemóvel que tem dois auriculares, e uso um deles para atender as chamadas enquanto conduzo. Desta forma, não me distraio enquanto conduzo, e funciona. E, reparem: deixar o outro auricular pendurado tem o mesmo efeito de auscultadores com um único auricular. Hã, de génio, não é?

É de génio, mas é proibido por uma lei imbecil. Mas continuarei a usar o auricular dessa forma, pois fico com o outro ouvido disponível para ouvir o trânsito, que deve ser a intenção inicial da lei. Devido a uma cambada de estrôncios que não deviam ter um cargo mais importante do que caixa de supermercados, sou um fora-da-lei. Um assassino da estrada. Um perigo para a via pública. Um prevaricador do nosso sistema democrático. Um rebelde, uma escória da nossa sociedade. Sou um... er... Ok, já chega de auto-flagelação.

Bem, estou mesmo a ver os fabricantes de telemóveis, numa reunião de altíssima urgência, a debater esta lei portuguesa inteligentíssima, e a mandar os seus engenheiros desenharem auriculares especiais, para que um deles possa ser retirado e colocado. Também podia gastar mais dinheirinho em (mais um) auscultador, só com um único auricular, para fazer a vontadinha a esses autistas. A DGV sempre a pensar na nossa segurança e bem-estar. Já agora, DGV, já que querem entrar na onda das aberrações, respondam-me ao seguinte:

- Posso usar o telemóvel colado à orelha por um elástico?
- Posso usar três auriculares? É que na lei só refere dois. Se colar um auricular extra, já estou legal? Meto outro no nariz, e já está.
- Se parassem de fumar charros, escreviam a lei tal e qual outra vez assim?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A Sagres patrocina a nossa GNR!


GNR cerveja
Clique na imagem e receba grátis no seu PC uma imagem maior desta mesma imagem. Catita, hã? Quem é amigo, quem?


Esta image é bem velhinha, já percorreu a Internet umas valentes milhares de vezes, mas vale sempre a pena recordar. Fica para quem nunca viu. Obrigado ao LeloDasTshirts, um simpático user cigano que mandou também avisar que ainda tem DVDs do Paixão de Cristo a 2 euros cada.

Rendinhas e Fátimas!



Porque é que nunca se vê obras de arte como estas nas revistas de tuning?!


Quando era miúdo, uma vez fui brincar a casa de um amigo meu (ele tinha um Spectrum, grande máquina), e no final da tarde, o pai dele levou-me a casa no seu Fiat 128 (outra grande máquina). Esse Fiat era qualquer coisa de "divinal": tinha o tablier com um paninho de rendas e uma Nossa Senhora fixada na consola central, bem como a famelga toda a decorar o topo do porta-luvas. Aquele carro parecia uma capela sobre rodas, e lembro-me de ficar fascinado por todos os detalhes de decoração religiosa(é claro que o retrovisor tinha o famosíssimo terço pendurado).

Desde que comecei este blogue, que eu queria abordar esse mistério recôndito do nosso subconsciente automobilístico, que é o impulso de certos tugas de querer mobilar os nossos carros com rendas (e motivos religiosos). O tuga que apanhei em cima possui apenas umas capinhas rendadas nos bancos, compradas no LIDL, bem como um volante catita. Mas o leitor já viu de certeza outros exemplos fantásticos de macramê e de renda caseira a enfeitar os cockpits de muitos carros tugas. Tudo obra da verdadeira dona do carro, que é a esposa do tuga!

Em primeiro lugar, compreendo que uma rendinha até possa evitar que o sol estrague os plásticos usados em certos carros, mas que raios, aquele banco deve torturar todas as costelas do condutor num dia de verão (depois falo nas capas com bolinhas de madeira e nos taxistas, isso é para um post mais saboroso). O problema é que a esposa do tuga que manda lá dentro. Essas esposas estão tipicamente com um olho no tricot, e outro na estrada. Ao mesmo tempo, poluem o ar com coisas do tipo "A badalhoca do 3º já meteu outro tipo em casa... não vás tão depressa! Olha o sinal! Não te aproximes tanto do da frente. E ela passou por mim no elevador, nem disse olá, e bla bla bla bla"...

Senhor leitor, tenha muito cuidado com carros rendados como este. Além de o pobre condutor estar com ambas as orelhas entupidas com queijo, ele subitamente pode guinar para a esquerda e para a direita sem dar pisca, especialmente, em ruas com muitas montras a anunciar saldos. Dé-lhe uma buzinadela de solidariedade ao moço no semáforo, abra a janela e diga-lhe: "Podia ser pior, podia ter uma capa rendada no volante e na alavanca de velocidades!", que esse tuga merece ir para o céu. E nem precisa de Fátimas coladas no tablier para isso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

O meu som é uma Alpine. Curva-te perante mim!




O artista ficou-se por aqui. Ainda bem para o fabricante de pneus.


O meu auto-rádio veio com o meu carro. Dá para ouvir as notícias e as rábulas do Markl de manhã. O que gosto mais dele é o facto de estar preso à consola central, de ser grande e de ter no canto o logotipo da marca do carro. Ou seja, repele a malta do alheio com uma eficiência brutal.

Quando vou de vez em quanto à Norauto, reparo sempre que a zona dos auto-rádios é um autêntico íman de bazofes, que não saem de lá enquanto não pressionarem pelo menos 75% dos botões e alavancas de cada rádio! Colocam de 10 em 10 minutos um alarme anti-roubo a soar, e lá vai o segurança desligá-lo com ar de poucos amigos. Frequentemente, a novela acaba quando um deles carrega num botão que desactiva um auto-rádio, ou que o coloca aos berros, e lá vão embora, pois não tiveram nada a ver com o assunto.

Contudo, nunca percebi o fascínio pelos autorádios da marca Alpine. Quando o artista da figura tem este Alpine no vidro de trás, feito de uma maneira deveras artesanal, fico ainda mais curioso sobre essa mistíca alpineira. Não sei bem se a... digamos... obra da fotografia foi pintada ou se é um autocolante muito mal recortado e colado, mas é certo que foi o próprio tipo que fez esta publicidade gratuita no vidro do carro, provavelmente num domingo de manhã. E até remata com um slogan: "som à primeira vista". O que raio quer dizer isso?

É claro que meter um Alpine só iria duplicar o valor desse chaço, o que é bem idiota de fazer. Não cheguei a ver que tipo de auto-rádio o tipo tinha, mas também não precisava: se o artista tivesse realmente dinheiro para ter um Alpine, decerto que tinha também dinheiro para um autocolante decente. É uma boa forma (e baratinha) de aumentar o seu status (ou não...).


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