Comportar-se como um animal ao volante é tão português como o fado e o chibanço. Ter ministros a 200 km/h na A1 sem pagar multa, comprar um Audi em 2ª mão, meter um aileron Matias na oficina do bairro e testar o bólide na ponte Vasco da Gama é português. E dizer mal dos outros também. E viva o blogue :)



quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ah granda Toy, és o meu herói!

Toy, o anormal
O Jornal 24 horas noticia aqui que o cantor Toy admite que conduz a mais de 200 km/hora. Aqui vai um copo e pasta:

Toy foi apanhado pela polícia em excesso de velocidade e está há dois meses sem carta de condução. Mas esta não foi a primeira infracção.
O cantor revelou ao 24horas que já foi apanhado dez vezes a conduzir com o prego a fundo ao volante do seu Mercedes S320 – e promete repetir a proeza: mal possa meter as mãos no volante vai andar de novo a alta velocidade. Enquanto espera que lhe devolvam a carta, contenta-se com as “boleias” do seu motorista particular (ver caixa).
“Gosto de conduzir e sei que conduzo bem. É por isso que, tendo eu carros potentes, carrego no acelerador”, revela o músico, que jura que costumar andar sempre a abrir. “Ando sempre a mais de 200 km/h na auto-estrada. Só que essa postura custou-lhe cara. Em Novembro, Toy foi inibido de conduzir depois de dez multas e algumas cauções à mistura, que foi pagando até atingir um limite.
“Só num dia fui multado duas vezes. Uma na A1 e outra na via rápida da Costa de Caparica”, relata, defendendo considerar “um excesso de zelo” a atitude das autoridades para com condutores como ele, que “só não cumprem esta regra absurda do limite de velocidade e são penalizados por terem um carro melhor e mais seguro”.
O artista tem uma teoria inédita sobre a causa da sinistralidade em Portugal, que descreve: “Os acidentes ocorrem devido à mania de perseguição que a polícia gera nos condutores. Passam o tempo todo a olhar para as pontes, para cima e para o lado, a ver se há radares ou a pensar que por eles passa algum carro descaracterizado da polícia e depois espetam-se”.
As histórias de aceleradelas e paragens obrigatórias em operações stop do cantor nas estradas da Margem Sul, onde vive, são quase tão conhecidas das brigadas de trânsito como as letras das suas canções. “No outro dia, fui mandado parar e quando abri o vidro o agente da brigada olhou bem para mim e disse: ‘Já sabíamos que só podia ser outra vez o António’”, conta.
Em vários anos de carta de condução e grandes velocidades, Toy garante nunca ter tido um acidente. “Devo fazer cerca de cem mil quilómetros por ano só em Portugal, sempre a abrir, e nunca bati. Foi também por isso que comprei um carro seguro e confortável... no qual [devido ao limite de velocidade] não posso carregar no pedal”, diz.


Eu nem sei por onde começar... este mega-postal claramente julga que existe um código da estrada específico para pessoas com péssimo gosto para o cabelo, como ele. Segundo a sua diarreia verbal, "se tenho um carro melhor que o teu, tem cuidado que sou mau"! Repararam no tom de ameaça à-lá macho confuso se é viril? "Quando tiver a carta, vou pegar no meu carrão e vamos lá à procura de um pacato português para me espetar e mandá-lo aos porcos!"
E o que é que os cromos da BT fazem? Pedem-lhe um autógrafo? Será que eu me safava com 10 multas sem parar com os costados numa prisão? Quem é este anormal para andar a queixar-se de excesso de zelo? O mesmo anormal que, se tiver a tristeza de ter um familiar vítima de um acidente provocado por outro português em excesso de velocidade, de certeza que virá a público apregoar o civismo e respeito pelas regras?! Ó Toy, tu és parvo ou imitas bem?
Andas pela Margem Sul? Também eu. Mercedes S320? Fica registado. Eu que te apanhe a matrícula do teu bólide, e que te apanhe em excesso de velocidade ou a fazer uma manobra perigosa ao pé de mim! Sabes o que vou fazer? Vou ver se falo contigo e peço-te um poster com o teu focinho e o teu autógrafo. Sim, porque hoje és o meu herói. O supra-sumo dos chicos-espertos tugas. És superior ao código da estrada e à polícia. Os outros na estrada são os coitadinhos que, como têm carros pequeninos, não podem andar a velocidades contadas em Mach. E pelos vistos és o melhor condutor da zona, uau! Como é que se obtém esse título? Onde é que me inscrevo?
Lembro-me uma vez, num dos momentos mais negros da televisão portuguesa, havia um programa na SIC que se chamava "Na casa do Toy". Não, não vi, mas tinha que suportar os separadores irritantes entre os anúncios. Sim, já foi do tempo do Guterres, mas na altura também já aceleravas, e levaste com uma visita de algumas pessoas tetraplégicas, que decidiram avivar-te a memória do que acontece quando se é parvo como tu na estrada. E, surpresa, não vai ser o teu Mercedezinho que te vai evitar meter-te numa cadeira de rodas ou numa morgue, se bateres a 200km/h! Já te lembras deles? Andas com vontade de mandares alguém para a cadeira de rodas?
Vou descobrir a tua matrícula e vou alertar o máximo número de pessoas que puder. Pelo que percebi na notícia, estás quase a receber de volta a carta, portanto é melhor prepararmo-nos para tal desastre. Por mim, fica descansado: se vir o teu bólide no meu retrovisor, encosto logo o carro, saio porta fora e vou logo correr para um local seguro, OK? Porque se achas que a tua vida é um brinquedo (percebeste? toy?), eu não acho que a minha seja.

Ena pá, não estou sozinho!


Pois é... uma pesquisa mais vigorosa relegou-me ao grupo Flickr intitulado "Estacionas que nem um cepo" (para os nossos amigos ingleses, "You park like a trunk/branch"). O URL é http://www.flickr.com/groups/estacionar/, e o blog respectivo encontra-se em http://cepo.vai.nu/. O crédito vai para um fulano chamado Fred.
Sinto uma alegria imensa, pois não estou só. O fenómeno de índole psíquica e mental que afecta o subconsciente encefálico de um português em questões relacionadas com veículos automotores (vulgarmente conhecido por "tuga ao volante") já anda a ser divulgado pelo estrangeiro há pelo menos dois anos! Estes colegas deviam passar à porta do Palácio de Belém para receber as suas medalhas de mérito! Juntei-me de imediato ao grupo. Sou um flickeiro há mais de dois anos e nunca reparei nestes moços.

Contudo, descrever o comportamento dos portugueses ao volante é uma tarefa vastíssima. O estacionamento deve ser talvez a maneira mais visível e ilustrativa do chico-espertismo tuga, mas é apenas a ponta do iceberg. A minha principal motivação não será apenas o estacionamento, mas sim todo o fenómeno, e há tanto para falar! O Tuning feito em casa, os street-racings sem carta, o fenomenal comportamento do português na faixa da esquerda da auto-estrada (dava uma tese de mestrado), as compras em 2ª mão na Alemanha, a GNR / PSP / EMEL ou o roadrage tuga. Pelamnordedeus, se a Carolina escreve livros e vende mais que o Saramago, neste país posso muito bem escrever sobre tugas ao volante e ter mais audiências que a Floribella!

Um bem-haja ao Fred, ao Nuno Monteiro (o maior contribuinte para o "Eu estaciono que nem um cepo"), e a todos os tugas que reclamam e denunciam os problemas.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Um artista do estacionamento...


O estacionamento é a 8ª arte, e a minha favorita depois do cinema. Sou um visitante assíduo de dois sítios engraçados, o www.youparklikeanasshole.com (em português simples, "Tu estacionas como um buracodocú."), provavelmente o sítio pioneiro de divulgação desta arte incompreendida, possui dois PDF para recortar e colocar nos carros dos artistas. O www.iparklikeanidiot.com (em português simples, "Eu estaciono como um idiota") parece, mas não é um confessionário dos pecados automobilísticos; este vende autocolantes com esta mensagem, para que os variados artistas do estacionamento possam ser finalmente reconhecidos e promovidos pelo público anónimo. Não mentiria se não tivesse já passado essa ideia pela minha cabeça. Mas também tem umas fotografias catitas.

O artista da figura remonta a Lisboa, em Janeiro de 2006, tirada ao pé do El Corte Inglés. À primeira vista, há que admitir que não é fácil colocar o carro nesta posição. É necessário calcular bem as distâncias em relação aos postes (que estão lá precisamente para enfeitar o passeio), agravado pela dificuldade inerente do estacionamento de uma curva. E, claro, o cálculo minucioso dos centímetros necessários para manter o carro assim. Ah, e esta posição que revitaliza o amortecedor e eixo? sem palavras.

É uma ideia a ter no futuro, mas porque não um petitionline para que se atribua um prémio do artista de estacionamento nos Globos de Ouro? Com tanta categoria, mais uma ninguém repara... Aproveito para apelar ao senhor internauta: contribua para esta causa, denuncie os artistas, envie as suas fotografias!

Outra questão tem a haver com a matrícula. Não, eu não vou apagar as matrículas. Se a Daniela Cicarelli e o respectivo deram umas valentes truncadas numa praia PÚBLICA em Espanha para os espanhóis (e os peixes espanhóis) verem, porque estão agora preocupados que os brasileiros vejam o mesmo pelo youtube? Assim sendo, se este artista não teve pudor em deixar o carro assim durante a tarde para todos apreciarem, porque carga de água é que o artista deverá ficar agora cheio de timidez? Saida do armário, amigo, e assuma-se: você é... um ARTISTA!

O reconhecimento ibérico...

Espanha
ChemaLiso, um camarada blogista espanhol, tem um post fantástico sobre ã sua experiência com portugueses ao volante, intitulado Portugueses al volante (um título muito original), e que comprova o reconhecimento internacional, e talvez, ibério, das artes rodoviárias lusitanas. Tal e qual como a famosa (e tristemente defunta) página do Desenrascanço na Wikipédia atesta a nossa capacidade ímpar de improviso.
Aqui vai uma traduçãozita do que ele diz no seu blogue, chemaeldragon.extreblog.com:

"Os portugueses ao volante são um perigo constante. Andam a mais de 180 km/h, olhas para trás numa grande recta e não vês nada, e em pouco tempo passa-te um como um suspiro. Depois há os que se colam atrás como uma lapa porque pensam que assim a resistência do ar é menor e, à tua custa, poupam. Bem, isto também muitos espanhóis o fazem, embora o motivo seja evitar serem multados. Acreditam que, se vais muito rápido e colado ao outro carro, multarão o primeiro, quando na realidade multam os dois, e adicionalmente proporcionam uma condução temerária."

Bem, a caracterização do condutor português está lá, sim senhora. Constata-se que o amigo espanhol também ainda não sabe o verdadeiro motivo porque os portugueses conduzem a centímetros do carro da frente: estão a treinar-se para, no final de uma portagem, colarem-se a um camião na Via Verde, para que a caixinha não debite e a câmara não consiga fotografar a matrícula. Como em Espanha não há tanta portagem como há cá, eu perdoo-lhe.

"Hoje, na minha condução diária desde Badajoz a Mérida, quando ainda não amanheceu, chego ao pé de um português que levava um TomTom Navigator. Reparo que leva os faróis no limite do correcto e do incorrecto. Explico-me: se vais de viagem e levas a mala cheia até acima, o normal é que pese um pouco mais na parte traseira do carro, o que faz com que a parte dianteira suba um pouco, o suficiente para que os médios se convertam em máximos. Pois assim ia contente o português, incomodando com as suas luzinhas todo aquele que se punha à frente dele. Mas não contente com isso, um par de km à frente, decide ultrapassar-me usando a técnica de pegar-se no meu cú para sair disparado, algo muito temerário porque se eu quisesse travar, não daria tempo para ele reagir.


O português é um ás no que toca a utilizar um GPS. Em especial nas autovias espanholas, tão mal sinalizadas e com raríssimas indicações, onde tal aparelho é vital. Mas sou capaz de apostar que o manual de instruções ainda deve estar embalado em celofane, no porta-luvas, tal como veio de fábrica.
Caro amigo ChemaLiso, calma, uma coisa de cada vez. Primeiro, ainda é necessário ensinar muitos portugueses a usar o pisca-pisca, e explicar que não é um acessório para usar no Natal. Depois é que podemos passar para um nível mais avançado, como é a regulação da altura dos médios.

"Os portugueses têm fama de conduzir muito mal. A mim demonstram-me diariamente e estamos em território espanhol. Nem quero imaginar como será conduzir por território português.

Dá para escrever um blogue, caro amigo! :)

Ingecção Direta



Esta fotografia foi tirada em Tazém uma aldeia em Valpaços, Trás-os-Montes, Portugal, e tem um fantástico mix verdadeiramente português: um misto de exibicionismo e de analfabetismo.

Em primeiro lugar, porquê? Porque é que é necessário informar os demais automobilistas e traseuntes (cá está, nunca perderei a oportunidade de falar policiês em vez de português, sempre que posso...) de que esta vulgar camioneta de caixa aberta possui um sistema de ingecção direta no seu fantástico motor? Será para que se acautele, pois os fumos do seu escape são especialmente nauseabundos?
Acredito que a ingecção direta até possa dar um excelente desbloqueador de conversa de café, mas custa-me a crer que o dono desta máquina sabe a diferença entre um distribuidor e um carburador.
E porquê evidenciar a ingecção? Porque não publicitar as cargas que se leva? Acho que daria mais estilo uma Toyota Dyna Carregadora de Estrume, ou uma Nissan Cabstar Pocilga de Porcos... seria bem mais informativa para os demais traseuntes.

Em segundo lugar, quem será o autor deste mini-tuning? É que, pela fotografia, parece que veio assim de fábrica! Meus amigos, é obra dar dois pontapés na língua portuguesa em duas palavras simples (um parênteses para os nossos irmãos brasileiros: em Portugal, diz-se directa e não direta). Para quando um Volkswagem Golfe? Ou um Fiat grande Ponto Multijete?
Ainda bem que a Mazda não comercializa em Portugal o seu carro Laputa... sabe-se lá que tipo de edições especiais se fariam em Tazém...

A inauguração do blog! Hurra!


Viva!

Na passagem do último Ano Novo, em Barcelona, estive a falar com um tipo inglês que ficou na mesma pousada. Ele disse-me que era de Londres, eu disse-lhe que era do Porto, e ele começou a falar-me da sua fantástica experiência no Porto.

Referiu logo duas coisas: a "squeaky hammer party" (nas palavras dele), ou seja, a 'festa dos martelos que chiam', o qual ele adorou, nunca viu festa como essa (quanto a mim, as festas de S. João deviam ser património da UNESCO ou parecido), e... da maneira como os portugueses guiam.

A conversa continuou a explorar esse fantástico filão que é a experiência automobilística vista pelos portugueses. Havia muito para falar: as multas, a GNR, os acidentes, os tunings, os carros importados em segunda mão, os quilómetros martelados, os vendedores de usados, o IA, etc. Agora pensei: isto sim, dá um blogue! O meu primeiro blogue. Sim, porque precisava de um assunto para escrever num blogue, pois ninguém está interessado nas minhas rotinas monótonas.

Declaro, portanto, inaugurado um blogue para vilipendiar (adoro esta palavra), maltratar, gozar, achincalhar (\cite{gatofedorento.blogspot.com}), e outros verbos terminados em ar tudo o que está relacionado com a alteração de comportamento de um português assim que se aproxima de um veículo de autolocomoção própria (ah sim, também adoro o português elaboradíssimo usado pelas nossas forças policiais, que parecem incapazes de dizer "carro", preferem "veículo", "viatura", e outros sinónimos). :) Hip Hip Hurra! Espero também colorir este blogue com imagens e youtubices.


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